O promotor de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), José Roberto Manchini, solicitou a abertura de inquérito policial para apurar denúncia de suposta cobrança de propina sofrida pela ex-prefeita de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), Teresinha de Fátima Sanchez (PMDB).
Sem mencionar nomes, o promotor disse que recebeu a denúncia de um homem no início do mês. ''Encaminhei um requerimento para instauração de inquérito policial para investigação sobre possível tentativa de solicitação de valor, mas não é muito concreta. Ele relatou que alguém conhecido da prefeita pediu para ela se podia dar o telefone para alguém ligar sobre a aprovação das contas na Câmara'', relatou.
A Câmara de Vereadores de Jataizinho deveria ter votado o parecer do Tribunal de Contas do Paraná (TC) na semana passada, que recomenda a desaprovação das contas da Prefeitura de Jataizinho referente ao ano de 2002. No entanto, uma liminar concedida pela juíza de Uraí, Kelly Sponholz Moleta, impediu a votação. A juíza atendeu a solicitação de um mandado de segurança ajuizado pela ex-prefeita.
No documento, Teresinha alega que teria recebido um vereador em sua casa que a teria procurado para conversar sobre a aprovação das contas. Ele teria falado também sobre as intenções de outro vereador. ''Fiquei sabendo que as contas de 2002 seriam votadas. Mandei minha justificativa e depois uma pessoa me ligou e perguntou se eu teria interesse de conversar com um vereador mas ele não me ligou. No mesmo dia, alguém disse para mim, na minha casa, que vereadores teriam ido procurá-lo para um acerto comigo, que eles iriam pedir um dinheiro e que era para eu me preparar que eu receberia essa proposta que se eu pagasse, as contas seriam aprovadas'', relatou a ex-prefeita. ''Não me senti coagida, forçada, porque na verdade eles não falaram comigo. Soube através de comentários e de uma pessoa que me procurou. Acho que a partir do momento que existe fumaça, pode ter fogo por baixo e a gente não pode deixar que essas contas fiquem passando de mão em mão'', disse Teresinha ao justificar o mandado de segurança.
O presidente da Câmara de Vereadores, Dirceu Urbano Pereira (PV) admitiu que pediu ao Ministério Público (MP) que investigasse o caso. ''Realmente houve essa denúncia da Comissão de Justiça e Redação que me pediu providências. Disseram que estava havendo pedido de dinheiro para aprovação das contas. Pedi ao MP que verificasse'', afirmou. ''Ficou muito ruim para todo mundo essa situação. Íamos votar o parecer do TC, mas estamos aguardando até a última ordem da juíza'', concluiu.

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