Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios recebeu de um ex-funcionário graduado do Partido Popular (PP) uma lista de 22 deputados que se beneficiariam do pagamento de mesadas supostamente distribuídas a mando do líder do partido na Câmara, José Janene (PR). Da relação, constam os nomes de dois cardeais da legenda que até agora não tinham passado pela mira da CPI: o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE), e o corregedor-geral da casa, Ciro Nogueira (PI), que é o responsável pela apuração das denúncias contra outros deputados.
A identidade do ex-funcionário vem sendo mantida em segredo pela CPI, cujos integrantes o apelidaram de ''garganta profunda''. Os detalhes apontados pelo informante são copiosos e compõem o organograma do esquema. Nesse desenho, o dinheiro era distribuído por João Cláudio Genu, que é chefe de gabinete de Janene e já foi citado por sua relação com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, e pelo deputado João Pizzolatti (PP-SC).
Segundo as informações levadas à CPI, os pagamentos eram feitos no apartamento do próprio Janene e numa sala da Comissão de Minas e Energia, que é controlada pelo grupo. ''Isso é uma palhaçada da CPI, um delírio. Essa informação é fria e eu não vou me acovardar diante dela'', reagiu Janene com indignação, ao tomar conhecimento da acusação.
As mesmas denúncias, citando a distribuição de dinheiro no apartamento de Janene e em cafés da manhã na Comissão de Minas e Energia, tinham sido feitas pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em entrevista ao programa ''Roda Viva'', da ''TV Cultura'' de São Paulo.
De acordo com as informações repassadas por ''garganta profunda'', Pizzolatti chegava a circular pelos corredores da Câmara carregando malas de dinheiro, para o que contava com o apoio de funcionários da área de segurança, que o protegiam. O dinheiro que garantia o mensalão do PP teria como fonte operações de empresas estatais.
Além de considerar as informações de ''garganta profunda'', a CPI pretende investigar as relações do ex-diretor de Furnas, Dimas Fabiano Toledo, com o empresário Airton Daré, que também seria ligado a Janene. ''Dimas não é indicação nossa. Nunca indicamos ninguém em Furnas'', defende-se o deputado. Serão apuradas ainda as conexões de Janene no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), já que a CPI tem informações de que a Diretoria de Sinistros seria controlada por ele.
Pelo organograma repassado à CPI, Janene também teria estendido um tentáculo sobre a Petrobras. Ali, o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado pelo PP, teria um papel importante na irrigação financeira do esquema. ''Essa é outra mentira. Paulo Roberto é indicação do PT'', assegura Janene.
Janene assegura que nos últimos três anos nenhum funcionário seu foi demitido, o que desqualifica a tese de que algum ex-assessor estaria colaborando com as investigações. ''Quando a fonte da CPI tiver identidade e CPF, eu vou responder. Isso é balela, papo furado e tudo vai ser esclarecido'', completa.

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