Ex-policial revela esquema
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
O ex-sargento da PM Jorge Luiz Martins, 42 anos, expulso da corporação há cerca de um mês, revela como funcionava o esquema de espionagem contra funcionários e clientes do HSBC. Durante cinco anos, ele trocou a farda pelos trajes civis para investigar fraudes contra a instituição.
Entre dezembro de 1994 e fevereiro do ano passado, Martins relata que percorreu agências espalhadas pelo País na tentativa de identificar os golpes. Não tinha feriado nem final de semana. Me chamavam a qualquer hora para trabalhar. Recebi veículo, celular, uma sala e fiquei trabalhando como se fosse funcionário do banco, diz.
Martins coordenava o departamento de inteligência e informações do banco. O motivo oficial de seu desligamento da PM está ligado ao vínculo empregatício com o HSBC. Mesmo na PM, ele tinha carteira assinada como funcionário do banco, o que não é permitido pelo código disciplinar da corporação.
No entanto, o ex-sargento garante que nunca planejou manter o salário da PM com o de funcionário do banco. Só estava lá, ressalta, por ter sido convocado pelos superiores de farda. Apenas cumpri ordens. Todos os coronéis sabiam da minha situação. Em dezembro de 1994 fui designado para trabalhar no banco na checagem de contas de clientes e funcionários, para recuperar veículos financiados. Cheguei a fazer auditorias completas em agências. Passei a ser polícia e bancário ao mesmo tempo. Ganhava R$ 1.000,00 por mês.
Advogados de Martins entraram com um mandado de segurança na Justiça para tentar reintegrá-lo à tropa e pedir indenizações por danos morais. Desde fevereiro de 2000, quando saiu do HSBC e regressou ao quartel, ele recorda que teve o salário reduzido pela metade. Um inquérito policial militar foi instaurado para investigar seu trabalho como bancário. Nem farda me deixavam vestir. Ficava o dia inteiro sem fazer nada no quartel.
Ele suspeita que o inquérito militar só foi aberto por ter processado o HSBC para receber seus direitos trabalhistas. Com isso, Martins queria ser aposentado pela PM por ter ficado mais de dois anos prestando serviços fora da corporação, como prevê o decreto federal 88.777. Misteriosamente, o ex-sargento afirma que o documento com a solicitação desapareceu. Se o decreto fosse cumprido, não teria problema nenhum, estava tudo legalizado.


