O depoimento do policial Humberto Terêncio, preso por tráfico de drogas em 1998, foi supreendente e pôs no rol dos acusados novamente o delegado-geral, Ricardo Noronha (leia na página anterior), e pela primeira vez o do ex-delegado geral Newton Tadeu Rocha, membros do alto comando da Polícia Civil nos últimos anos. À CPI, Terêncio denunciou a existência de esquema para divisão de dinheiro e drogas e afirmou que, em 12 anos como policial, conheceu apenas três delegados honestos. ‘‘Delegado que não dá lucro, não recebe delegacia boa. Cada vez que se descobre um traficante e se morde, é cobrada uma taxa e dividida’’, disse.
Segundo ele, 40% da quantia arrecadada fica para a equipe de agentes; 50% é entregue para o delegado responsável pela Delegacia; e 10% é repassado para o delegado divisional. Terêncio divulgou uma lista de policiais que estariam envolvidos com o esquema.
Três deles (Volga, Augusto e Nei Prosdócimo), disse o depoente, trabalhavam no Comando de Operações Policais Especiais (Cope), sob as ordens do atual delegado geral Ricardo Noronha. Terêncio disse que o delegado sabia do tráfico. Os acertos para compra de cocaína eram entre Terêncio e Volga e Augusto. Na época, Terêncio teria ido ao Cope e apresentado pelos três a Noronha da seguinte maneira: ‘‘Esse é o Humberto, daquela parada do pó.’’ Terêncio disse que Noronha teria lhe afirmado para conversar com a Volga, que ele sabia do assunto.
Para comprovar a participação dos policiais do Cope, Terêncio disse que é fácil. ‘‘Basta quebrar meu sigilo telefônico e lá estará a lista dos celulares dos policiais’’, afirmou. Conforme Terêncio, a droga era comprada por um homem chamado Adauto, que reside em Taguara da Serra (MT). De lá, escondida nos tanques de combustível de caminhão, ela passaria por Goiânia (GO), Marília (SP), Rio Preto (SP), e entraria no Paraná por Jacarezinho (Norte do Estado). A droga chegaria em Curitiba para ser distribuída em três pontos: no bairro CIC, Pinheirinho e no Ceasa. (J.A. e I.R.)