Curitiba - O ex-policial civil Ricardo Abilhôa, acusado de extorsão e lavagem de dinheiro público, resolveu se apresentar voluntariamente à Polícia Federal (PF) na noite de anteontem depois de ficar mais de um ano foragido. Os bens dele e as contas bancárias foram bloqueadas pela Justiça. Ricardo é filho do procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa ex-coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão ligado ao Ministério Público (MP) estadual.
Ricardo se entregou depois de um acordo feito entre o pai dele e o delegado Fernando Francischini, da PF. ''O Dartagnan me procurou à noite e pediu para que o filho ficasse sob a custódia da Polícia Federal. Ele temia pela vida do filho dentro do Sistema Penitenciário do Paraná'', relatou Francischini. Dartagnan é inimigo político do secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, a quem acusou de ter iniciado uma perseguição contra sua família após divergências internas dentro do MP. ''Eu e o pai dele (Dartagnan) fomos buscá-lo. Não houve resistência e o Ricardo veio voluntariamente para a sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba'', disse o delegado.
O ex-policial civil ficará à disposição dos juízes da 7 Vara Criminal de Curitiba e da 2 Vara Federal Criminal. Além dos bens de Ricardo, foram bloqueadas as contas dos irmãos dele, Luciana e Marcelo, que eram suspeitos de serem usados por Ricardo para transferência de bens com intuito de driblar a fiscalização da Receita Federal. Uma das principais acusações contra Ricardo foi a extorsão e a liberação de um dos maiores traficantes do Cartel Juarez, organização criminosa do México envolvida com tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. Lúcio Rueda-Bustos, conhecido como ''Mexicano'', teria pago R$ 3 milhões a Ricardo para não ficar preso na PIC, onde responderia inquérito. O caso teria ocorrido em 2004.
A extorsão teria sido feita por Ricardo e pelo ex-policial civil Carlos Eduardo Carneiro Garcia, conhecido como ''Carlinhos'', já condenado pela Justiça Federal. Mexicano, que já cumpre pena, teria dado o nome falso de Ernesto Plascência San Vicente (mesmo nome com o qual foi preso em julho do ano passado). A PIC informou que liberou Mexicano após consulta à Interpol (órgão internacional de inteligência). Ele teria sido liberado após tentativas de enquadrá-lo como traficante, todas inúteis. Foram encaminhadas cópias do passaporte do suposto traficante e impressões digitais para pesquisa da Interpol. ''Nós investigamos o Mexicano e não encontramos nada. Não houve extorsão. Ele foi liberado após os procedimentos legais'', informou à FOLHA o procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, pai de Ricardo, quando Renata iniciou a série de denúncias contra o policial civil. Dartagnan era o coordenador da PIC. Ontem, ele não foi encontrado.

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