Ex-policial acusado muda versão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de março de 2001
Valmir Denardin De Curitiba 
Silvio Hemerson Guerra, advogado do ex-PM José Lucas Gomes, disse ontem que seu cliente realmente matou os dois políticos de Mariluz, mas teria sido torturado pela Polícia Civil para imputar ao prefeito a acusação falsa de mando dos crimes. Em depoimento ao delegado do Centro de Operações Especiais (Cope), Luiz Alberto Cartaxo, que teria sido acompanhado por dois promotores, Gomes teria confessado que recebera um Monza e R$ 20 mil de Adelino Gonçalves para matar os dois.
Segundo Guerra, essa confissão teria sido forjada. Ele (Gomes) foi preso às 7 horas e só o levaram à delegacia às 16 horas, disse o advogado. Nesse tempo, ele apanhou muito. Guerra afirmou também que os dois promotores só teriam acompanhado metade do depoimento.
Na nova versão, o duplo homicídio não teria mandante e teria ocorrido por fatalidade. De acordo com Guerra, seu cliente teria ido desarmado ao escritório de Carlos de Carvalho, presidente do PPS, para buscar um dossiê contra um sindicalista da cidade, a pedido deste. O advogado não revelou o nome desse suposto sindicalista. No local, teria havido uma briga entre os três Carvalho, o vice-prefeito e o ex-PM. Carvalho teria retirado um revólver de uma gaveta. Para se defender, Gomes teria tomado a arma e baleado os dois. Guerra disse que seu cliente vai mudar o depoimento em juízo.
A Folha não conseguiu ouvir, no final da tarde de ontem, o delegado Cartaxo e o delegado-chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, responsáveis pelas investigações do caso, sobre a denúncia de tortura. (Colaborou Vânia Moreira, de Umuarama)


