Ex-petista afirma que Lula adotou postura conservadora
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O economista César Benjamin, fundador e dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) até 1995 ano em que deixou o partido jogou um balde de água fria sobre os militantes do PT que, na noite de quinta-feira, ouviram a sua palestra ''O que é ser esquerda hoje?''. Ele descartou qualquer hipótese do Governo Lula dar uma virada em seu rumo, como defendem muitos militantes do partido. E mais. Para ele, a eleição de Lula à Presidência da República marcou o fim do que chamou de ''Ciclo do PT''.
De acordo com Benjamin, Lula optou por adotar uma política conservadora como meio de tranquilizar o mercado financeiro e agora não tem como voltar atrás. ''E quanto mais você faz opção por essa política, menos você consegue sair dela. Com o tempo, o Governo Lula não está acumulando condições para virar. Ao contrário. Ele está destruindo as condições que existiam para uma virada e construindo um caminho cada vez mais sem volta'', disse ele, que esteve em Curitiba para fazer a conferência inaugural do Centro de Estudos Ernesto Che Guevara, do deputado estadual Tadeu Veneri (PT).
Como justificativa de sua posição, afirmou que os dois ''grandes vitoriosos'' com o Governo Lula são o setor financeiro e o agronegócio, ''justamente aqueles que têm a visão voltada para o lucro'', quando esperava-se que este governo fosse representar um influxo para a sociedade. ''O que o governo Fernando Henrique não conseguiu fazer, Lula está fazendo'', disse, citando como exemplo as reformas da Previdência, das leis trabalhistas e sindical, a lei dos transgênicos e a intenção de Lula de dar autonomia ao Banco Central.
O resultado dessa situação, para ele, é o fim do ''Ciclo do PT''. Ou seja, o partido continuará existindo, mas ''não vai mais ser o eixo de gravitação da esquerda''. O novo ciclo, para ele, ainda é uma incógnita. Pode vir por meio de um novo partido ou por mobilizações da sociedade. O importante, para ele, é que esse novo ciclo recupere a capacidade de pensar e redescubra as reais necessidades do Brasil, ''seus eixos, suas preocupações''.
Para ele, o País tem dois grandes desafios a alcançar: a igualdade social e soberania. ''Esses dois pontos podem ser um parâmetro. Para julgar o governo é preciso ver se aumentaram ou dimuinuíram, e o Governo Lula tem sido um fracasso nos dois pontos'', disse.


