Os aliados que acompanharam a decisão do governador carioca Anthony Garotinho de sair do PDT começam a deixar de lado a idéia de fundar um novo partido e voltam a investir na busca de uma legenda que possa abrigar a grande maioria dos dissidentes. A avaliação dos ex-pedetistas é que podem encontrar muitos obstáculos na criação de uma nova legenda, no momento em que o Congresso discute a reforma política e a diminuição do número de partidos. Garotinho espera anunciar uma decisão já no próximo encontro com os partidários que também deixaram o PDT, dia 3 de dezembro.
O secretário estadual de Transportes, Luiz Alfredo Salomão, é um dos ex-pedetistas responsáveis por retomar as conversas com o PSB. ‘‘Minha preferência é por não fazer um partido novo e não vejo que haja dificuldades irremovíveis com o PSB’’, diz Salomão.
Ao mesmo tempo, Garotinho aproxima-se do governador de Minas, Itamar Franco, que também está em busca de uma legenda. Os dois poderão ter um encontro para mostrar que podem conviver sob a mesma legenda, seja o PSB ou outro partido. Itamar, no entanto, também está em negociações com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, inimigo político de Garotinho.
Com a decisão do governador do Rio de definir seu futuro e dos aliados o mais rápido possível, os prefeitos eleitos pelo PDT com apoio de Garotinho já terão seus destinos traçados quando deixarem a legenda, depois da posse, em 1º de janeiro. Os futuros prefeitos acertaram que não trocarão de legenda antes da posse, para evitar qualquer tentativa da direção do PDT de impedir na Justiça que assumam o cargo, com a justificativa de que o mandato é do partido e não do candidato.
O argumento está sendo usado pelo PDT, que tenta reaver o mandato de 14 dos 17 deputados estaduais aliados de Garotinho e do próprio governador. Pelos cálculos de Garotinho, 31 dos 33 prefeitos eleitos pelo PDT vão deixar o partido. Só ficariam Jorge Roberto da Silveira, reeleito em Niterói e provável candidato a governador em 2002, e Henrique Melman, que assumirá a Prefeitura de Arraial do Cabo.
‘‘Os prefeitos do interior dependem muito do governo estadual, da boa vontade do governador’’, diz Jorge Roberto Silveira, reconhecendo que haverá uma considerável diminuição do número de prefeitos pedetistas no Estado.

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