Brasília - Uma legião de mortos-vivos perambula pela Câmara e pelo Senado nas terças, quartas e quintas-feiras, dias em que ocorrem as sessões deliberativas. Eles não votam mais, porque renunciaram a seus mandatos.
Mas, como antes, quando ainda eram deputados, são assíduos no Congresso. Tão assíduos que um deles, Paulo Rocha, ex-líder do PT, comandou na quarta-feira uma reunião da bancada paraense que tratava das emendas ao orçamento da União de interesse do Estado. Paulo Rocha é o presidente do PT do Pará. No fim do mês, vai entregar o cargo ao deputado José Gerardo.
Rocha renunciou ao mandato para fugir do processo de cassação, pois foi acusado pela CPI dos Correios de ter recebido R$ 920 mil das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Diz que o dinheiro chegava até ele por ser dirigente partidário e que uma parte entregou ao PT; outra, ao PSB. Com a renúncia, ele garantiu os direitos políticos. Pode se candidatar no ano que vem e voltar à Câmara, da qual nunca se afastou.
Como Paulo Rocha, o ex-deputado José Borba (PR) renunciou ao mandato para fugir do processo de cassação. Ele era líder do PMDB. Foi acusado de ter recebido R$ 2,1 milhões de Marcos Valério. Borba, que nos últimos meses andava sumido, reapareceu de vez. Caminha pelos corredores com o semblante de uma pessoa aliviada. Não perdeu a pose de líder.
Na última segunda-feira estava encarapitado na cadeira que já foi dele e que agora é do líder Wilson Santiago (PB). De lá, telefonava folgadamente para correligionários. Os funcionários do gabinete do líder ainda são os mesmos que serviram a Borba. Como assegurou seus direitos políticos, vai se candidatar novamente.
A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP) enfrenta situação semelhante a de seus colegas. Ela e o marido, o senador João Capiberibe (PSB-AP), são acusados pela Justiça Eleitoral de compra de votos. O senador está nos momentos finais da agonia. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado lhe deu prazo de cinco sessões para se defender, prazo que termina nesta semana. Depois, a Mesa Diretora deverá decretar a perda do mandato, já decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Janete já foi notificada pela presidência da Câmara de que há um processo de perda do mandato dela. Não tem como salvar o mandato, porque a decisão será tomada pela presidência da Casa, em cumprimento a decisão judicial.

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