Ex-padre sustenta acusações
Agência Folha
O ex-padre José Antônio Monteiro vai falar amanhã à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados sobre as torturas que teria sofrido na sede da Polícia Federal em São Luís (MA), em 1970, comandadas pelo delegado João Batista Campelo. Vou repetir o que tenho falado desde que tudo aconteceu, disse Monteiro, que ontem prestou depoimento ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Alagoas.
No depoimento de ontem, que será enviado à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o ex-padre disse que foi torturado três ou quatro vezes por seis ou oito policiais, comandados pelo delegado Campelo, que o prendeu sob a acusação de ter praticado atos subversivos. Monteiro disse que Campelo ajudou os policiais a colocá-lo no pau-de-arara, embora não tivesse participado das sessões de tortura. O delegado deixava a sala durante os espancamentos e só retornava para os interrogatórios.
O delegado Campelo diz ter sido colega do ex-padre no Seminário Santo Antônio, em São Luís, no início dos anos 60. Segundo Monteiro, alguns casos do seminário foram lembrados por Campelo durante os interrogatórios. Ele ficou preso por cerca de um mês.
Nessa época, circularam rumores, segundo o ex-padre, de que Paulo Morais Rego, agente fiscal do governo do Maranhão, também teria sido torturado na sede da Polícia Federal, onde Campelo era delegado. As acusações contra ele não teriam sido por motivos políticos. Rego não quis comentar o caso ontem.
O Grupo Tortura Nunca Mais, autor de um relatório com os nomes dos torturadores e dos torturados durante o regime militar, já entrou em contato com Magalhães para que o seu caso também passe a constar do relatório. Sua prisão, juntamente com o bispo francês Xavier Gilles, e as torturas que sofreu estão relatadas no livro O Catolicismo Brasileiro em Época de Transição, de Thomas Bruneau, editado pela Edições Loyola, em 1974. Esse livro foi publicado originalmente em inglês, no mesmo ano, sob o título The political Transformation of the Brazilian Catholic Church, mas na denúncia o nome de Campelo não é citado.





