Agência Estado
O ex-padre José Antonio Monteiro, 57 anos, responsável pelas denúncias de tortura contra Campelo, disse ontem em Maceió que a queda do diretor-geral da PF foi uma vitória da democracia e do povo brasileiro. ‘‘Eu tinha certeza que ele não ia passar mais de uma semana no cargo, porque a pressão das entidades de direitos humanos foi muito forte, exigindo a saída dele do comando federal’’, afirmou Monteiro.
Segundo ele, ‘‘o ministro da Justiça Renan Calheiros tomou a decisão certa ao se manter no cargo e deixar que a parte podre caísse’’. Monteiro disse que não se considera um revanchista, mas fez o que a sua consciência mandou. ‘‘Não podia deixar que um torturador assumisse um cargo de comando de uma polícia que precisa respeitar os direitos humanos’’, destacou, acrescentando que fez denúncia contra Campelo baseado em provas e documentos.
De acordo com o ex-padre, Campelo comandou sessões de tortura a presos políticos no Maranhão, durante o regime militar. ‘‘Eu fui submetido a interrogatórios, comandados por ele, com sessões de tortura praticadas por policiais subordinados a ele, na Polícia Federal de São Luís, no Maranhão’’, afirmou Monteiro, que em 1970, quando foi preso, era simpatizante da AP (Ação Popular), organização clandestina ligada a Igreja Católica.
Monteiro é casado, pai de três filhos e ensina filosofia no Centro de Estudos Superiores de Maceió. Quando soube da indicação de Campelo para o comando da PF, procurou a imprensa para denunciá-lo. Depois que ganhou notoriedade nacional, o professor vem recebendo convites de universidades para realizar palestras sobre a sua participação na luta contra a ditadura.

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