Ex-mulher de Costa Neto rouba a cena
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quarta-feira, 24 de agosto de 2005
Silvio Navarro<br>Folhapress 
Brasília - Depois de depor contra o ex-deputado Valdemar Costa Neto no Conselho de Ética da Câmara, a publicitária Maria Christina Mendes Caldeira, 39, ex-mulher do presidente do PL, voltou a causar frisson ontem ao percorrer os corredores do Congresso carregando uma mala de viagem. ''Minha mala não tem ''mensalão', só tem camisetas'', disse ela, enquanto sacava da mala camisetas da campanha ''Bem Querer Mulher'', contra a violência à mulher. A campanha é de uma ONG que conta com o respaldo da ONU.
Uma das camisetas acabou nas mãos do líder do PL, Sandro Mabel (GO), um dos acusados de envolvimento no escândalo do ''mensalão'', que passava pelo local. ''Se precisar, deponho a favor dele'', disse a publicitária. Caldeira, que passa por um ruidoso processo de separação com Valdemar, afirmou que fora à Câmara para entregar as camisetas, mas ''aproveitou para dar uma passada'' no Conselho. Afirmou que a intenção da visita inesperada era entregar ''provas'' contra o ex-marido ao presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP).
A chegada dela à sala do Conselho, puxando a mala de rodinhas, ocorreu minutos antes do início do depoimento do presidente do PL. Quando Valdemar iniciou sua fala, ela ainda dava entrevistas, do lado de fora. ''Ela veio de maneira desnecessária, trouxe um convite de Taiwan. Talvez quisesse promover o programa dela na TV'', disse Izar, que recebeu das mãos de Caldeira um convite do Ministério das Relações Exteriores de Taiwan endereçado a Valdemar para um almoço no país asiático.
Ela acusa Valdemar de ter negociado uma doação ilegal do governo de Taiwan à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Valdemar nega o repasse de recursos, mas confirma a visita a Taiwan para tratar dos interesses de produtores de cogumelos de Mogi das Cruzes (SP). Ele também processa a ex-mulher por tentativa de extorsão.
O depoimento de Valdemar ao Conselho, ontem, durou cerca de 30 minutos. A previsão era que o presidente do PL seria dispensado pelo Conselho em função de ele ter sido ouvido no dia anterior pela CPI do Mensalão - ele enviaria cópia do depoimento. Valdemar, entretanto, foi alertado pela manhã que se não comparecesse à sessão poderia abrir uma brecha jurídica para a anulação do processo de cassação de Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Em sua fala, o presidente do PL reproduziu o que dissera à CPI, mas fez uma retificação. À CPI, ele havia dito que 80% dos R$ 6,5 milhões que recebeu vieram da SMPB, de Marcos Valério, e o restante não sabia a procedência. Ontem, voltou atrás e disse que todo o dinheiro saiu da SMPB. Hoje, o relator do processo de cassação contra Jefferson, Jairo Carneiro (PFL-BA), apresentará seu parecer aos integrantes do Conselho. O voto, pela cassação ou não do petebista, será anunciado na próxima segunda-feira.


