O gesto tucano de resgatar Mendonça de Barros não se resume à reabilitação de um quadro abatido por uma escuta telefônica em meio ao processo de privatização das companhias telefônicas e, principalmente, pela pressão dos aliados governistas. Com a volta do ex-ministro como protagonista do debate econômico, os tucanos pretendem tirar do papel promessas do programa de governo de FHC que ficaram esquecidas com a crise da desvalorização do real.
Durante a convenção, os tucanos recuperaram o discurso da campanha. A volta de Mendonça de Barros não esconde: é mais um ingrediente na luta de poder entre os aliados governistas para a sucessão presidencial de 2002. Do ex-ministro, os tucanos esperam iniciativa e, principalmente, a criação de um núcleo de formulação econômica no partido para a segunda fase do Plano Real.
Mendonça será o principal porta-voz da chamada ala ‘‘desenvolvimentista’’, que prega o estabelecimento de uma política industrial, mais vigor nas exportações e cautela nas importações. Isso foi sentido com a divulgação do documento ‘‘É hora de crescer’’, que resume as prioridades do partido. ‘‘Não é hora de cair na ilusão liberal de que equilíbrio fiscal e estabilidade monetária proporcionam automaticamente condições ótimas de crescimento. Também não é hora de regredir (...) a velhas práticas protecionistas’’, diz o documento. E completa: ‘‘Não é hora de ceder a pressão por aumentos irresponsáveis do gasto público’’.
Há insatisfações de setores do partido com a atuação do ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, no posto que deveria funcionar como um dos principais eixos do segundo mandato de FHC. Mas os tucanos e o próprio Mendonça preferem não falar na volta do ex-ministro ao governo. Mendonça ainda espera a conclusão de um inquérito sobre as denúncias de favorecimento a consórcios na privatização da Telebrás. Ele já obteve um parecer do TCU que o inocenta.

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