Ex-ministro Roberto Campos morre no Rio
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terça-feira, 09 de outubro de 2001
Agência Estado<br> Do Rio de Janeiro 
O ex-ministro do Planejamento Roberto Campos, de 84 anos, morreu ontem por volta das 20 horas, em casa, no Rio. Campos foi internado no fim de julho, em situação de altíssimo risco, com fecaloma (retenção de fezes), na UTI da Clínica São Vicente, na Gávea. Na clínica, ele ainda contraiu uma grave pneumonia, que provocou desequilíbrio renal e insuficiência respiratória.
O economista, que foi ministro do governo Castelo Branco (64-67) havia sofrido uma isquemia cerebral no fim de fevereiro de 2000, que limitou sua capacidade de fala e de escrever. Ele conseguiu, porém, recuperar-se e voltar para casa. Campos, nascido em Cuiabá, ficou conhecido por sua ironia e seu sarcasmo, como também pela facilidade em transitar entre os universos dos números e das palavras, sempre com raciocínios precisos. Essa qualidade nem mesmo seus adversários políticos e ideológicos deixaram de reconhecer.
Ele estudou Economia em Washington e doutorou-se na Universidade de Columbia, em Nova York. Além do apurado domínio da língua portuguesa, atestado em livros, discursos e saborosas entrevistas, Roberto Campos falava inglês, francês e latim, sendo capaz de expressar-se também em grego, italiano, espanhol e alemão.
A obra do ex-ministro, ex-embaixador, ex-senador e ex-deputado federal é quase toda voltada para temas políticos e econômicos. ''Economia, Planejamento e Nacionalismo'' (1963), ''A Moeda, o Governo e o Tempo'' (1964), ''Ensaios contra a Maré'' (1969) e ''A Nova Economia Brasileira'' (1974) são alguns dos títulos mais conhecidos. Mas nenhum deles teve tanta repercussão quanto o volumoso livro de memórias ''A Lanterna na Popa'', lançado em 1994. ''Basicamente eu sou um idiota da objetividade e um viciado da coerência'', definiu-se certa vez Campos, também construtor de frases pitorescas. Ele também era imoral da Academia Brasileira de Letras.


