Ex-ministro foi beneficiado no esquema AMA/Comurb
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Ex-funcionário do Banco do Brasil, o paulistano Paulo Bernardo, 64 anos, começou a carreira política em Londrina, ainda na década de 1980, quando era membro do Sindicato dos Bancários e filiado ao Partido dos Trabalhadores. Inscrito no PT desde 1985, foi deputado federal por dois mandatos consecutivos, entre 1991 e 1998.
Não se reelegeu no pleito de 1998, mas acabou investigado por ser suposto beneficiário do esquema AMA/Comurb, escândalo de corrupção durante o terceiro mandato do ex-prefeito Antonio Belinati (1997-2000), que consistia no desvio de dinheiro por meio de licitações fraudulentas para as campanhas de políticos do grupo, como Bernardo, o deputado federal Alex Canziani (PTB), o ex-deputado José Janene, morto em 2010, e o próprio filho de Belinati, Antonio Carlos, que disputava uma vaga na Assembleia Legislativa.
O Ministério Público (MP) de Londrina chegou ao nome do ex-ministro ao apreender planilhas escrituradas pelo empresário Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior (também já falecido), que era operador financeiro de Belinati, contendo o nome de dezenas de políticos. Entre eles, Paulo Bernardo, que foi processado por improbidade administrativa, mas seu nome, por decisão judicial, acabou excluído do polo passivo. Nesta mesma ação, André Vargas, que era o coordenador da campanha petista de 1998, foi condenado, em 2012, a devolver R$ 10 mil recebidos indevidamente.
Depois da derrota em 1998, Paulo Bernardo foi para Mato Grosso do Sul e assumiu a Secretaria Estadual de Fazenda, no governo de Zeca do PT. Lá permaneceu entre janeiro de 1999 e dezembro de 2000. Voltou a Londrina quando o também bancário Nedson Micheleti (PT) elegeu-se prefeito de Londrina. Aqui, assumiu a Secretaria Municipal de Fazenda, em janeiro de 2001 e permaneceu até abril de 2002, quando desincompatibilizou-se para disputar uma vaga na Câmara Federal. Sua companheira, Gleisi Hoffmann (PT), também alvo da Lava Jato, ocupou uma pasta no governo de Nedson: foi secretária de Gestão Pública.
Bernardo saiu vitorioso do pleito de 2002 e assumiu a vaga de deputado federal em 2003. Dois anos depois se licenciou para assumir o Ministério do Planejamento, em março de 2005, cargo no qual ficou até o final do segundo governo Lula. Em janeiro de 2011, assumiu o Ministério das Comunicações, no governo Dilma.


