Ex-ministro defende redução dos juros
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quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O superintendente da Folha de Londrina, José Eduardo de Andrade Vieira, que foi ministro de Indústria e Comércio no governo Itamar Franco (PMDB) e ministro da Agricultura na administração de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), fez críticas ao modelo econômico implementado no Brasil em 1994. A política de juros altos seria o grande obstáculo para o crescimento econômico. Outro problema que inibiria as exportações seria a taxação de produtos. ''Muitas vezes reduzir os impostos é uma fórmula mágica para se conseguir aumentar a arrecadação. Com imposto menor, se vende mais'', exemplificou Vieira, que foi ontem o palestrante da reunião semanal do secretariado.
Vieira foi ministro da Indústria e Comércio até maio de 1994, quando saiu para trabalhar na campanha de Fernando Henrique homem de confiança de Itamar Franco. Depois de eleito, o presidente resolveu conduzir Vieira para o cargo de ministro da Agricultura onde tentou se dedicar em programas que pudessem fixar o homem no campo. Um dos principais programas criados na gestão do empresário foi o Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) que ainda hoje financia famílias de pequenos produtores em todo o Brasil. Na época também foi definido o zoneamento agrícola que levou o Brasil a aumentar a produtividade de 82 para 100 milhões de toneladas de grãos.
Na gestão de Vieira foi projetado o assentamento de 500 mil famílias de trabalhadores rurais sem-terra nas margens do Rio São Francisco, no Nordeste. O projeto de abertura de de canais e comportas está praticamente pronto. Mas não foram feitos alguns ajustes como a abertura de veias para abastecimento e irrigação das propriedades que seriam usadas para os assentamentos. Outra ação neste sentido foi o estudo de um convênio com as prefeituras brasileira para desburocratizar a venda de terras para fins de assentamento e aumentar a captação de áreas.
''Os projetos foram engavetados e estão engavetados até hoje. Me mandaram ficar quieto. O presidente (Fernando Henrique) disse que precisava que o MST continuasse existindo porque ele era um contraponto para as forças de direita. Se ele fizesse o que eu propunha, ele estaria acabando com o movimento'', disse. Vieira evitou falar em política no discurso. Questionado pelos jornalistas, ele negou que tenha vontade de voltar ao cenário político (ele já foi senador) e criticou a atual lei eleitoral brasileira que força o cidadão brasileiro a enfrentar as urnas. ''O voto deveria ser livre. A obrigatoriedade é que permite a compra de votos e a corrupção.''
O ex-ministro disse que a taxa de juros anual não poderia ultrapassar a casa dos 12%. Vieira criticou os ministros da Fazenda que passaram pelos governos FHC e Lula. ''Depois do Itamar (Franco), a economia voltou a ser comandada por pessoas sem nenhum conhecimento do funcionamento do mercado brasileiro. Mercado não é abstrato. Tem nome e endereço. Ele não é desconhecido. Os mercados podem ser nominados: feijão, bolsa, ouro. Os ministros não sabem o que é o mercado. Eles não reúnem as condições para estarem no cargo. Se pensam eruditos no assunto, mas são teóricos'', criticou.
Vieira não quis citar nomes, mas disse que um bom ministro de Fazenda tem que ser conhecedor na prática do mercado brasileiro.


