O dentista curitibano Lauro Consentino Filho, 57 anos, ex-militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), confirmou ontem a existência do sítio entre os municípios de Matelândia e Medianeira (no Extremo-Oeste do Estado), onde supostamente estariam enterrados os corpos de sete guerrilheiros mortos pelo Exército em 1974. A existência desse sítio, na localidade rural de Linha Barreirão, foi apontada em reportagem da Folha sobre a atuação da Operação Condor no Paraná anteontem.
Operação Condor foi o nome do sistema de atuação integrada adotado por seis ditaduras militares latino-americanas – Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia – entre as décadas de 70 e 80. O grupo guerrilheiro, liderado pelo ex-sargento Onofre Pinto, teria sido atraído ao Extremo-Oeste do Paraná em uma cilada. No sítio, os sete – seis brasileiros e o estudante argentino Enrique Ruggia – teriam sido torturados e mortos pelo Exército e seus corpos, enterrados clandestinamente no local.
‘‘Tenho certeza que esse pessoal está enterrado lᒒ, disse Consentino Filho à Folha, ontem à tarde. Segundo ele, a propriedade – juntamente com outra, conhecida como Boi Piquá, no município de Toledo – foi comprada pelo MR-8 com o dinheiro desviado do Banco do Brasil por um militante do movimento. As duas áreas seriam utilizadas para treinamento de guerrilha do MR-8.
O sítio na Linha Barreirão teria sido ‘‘confiscado’’ pelo Exército em 1969, com a prisão de Sebastião Medeiros, integrante do MR-8 responsável pela área. A partir daí, a propriedade, segundo essas informações, passou a ser usada como aparelho de repressão a presos políticos.
Apesar de nunca ter estado nesse sítio, Consentino Filho sempre teve conhecimento da existência dele. Em 67, recém-formado em Curitiba, o dentista foi enviado pelo MR-8 a Medianeira para atuar no apoio logístico à guerrilha. Seu consultório era utilizado para o armazenamento de armas, que eram desviadas do Exército no Rio de Janeiro e tinham como destino os dois sítios no Oeste do Paraná.
Consentino Filho chegou a ficar preso, por 30 dias, em outubro de 68, após o desmantelamento do MR-8 pela polícia. Foi libertado por falta de provas, já que havia conseguido jogar as armas e outros materiais que escondia em um riacho. O dentista é o criador e diretor do Centro de Tratamento ao Fissurado Labio-Palatal, que já fez cirurgia gratuitas em 3 mil pacientes.

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