Ex-líder do PTB vetou alianças no PR em 2004
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Lourival Santana<br> Agência Estado 
Curitiba - O ano de 2004 foi movimentado para o PTB do Paraná. Começou em fevereiro, com o lançamento, em grande estilo, de uma aliança com o PT e o PMDB, para as eleições municipais. No mês seguinte, no entanto, o então presidente nacional do partido, Roberto Jefferson, veio a Curitiba e impôs a tese da candidatura própria, derrubando a aliança. O empresário Flávio Martinez foi lançado à prefeitura da capital. Outras cidades importantes do interior também ganharam candidatos próprios, como Ponta Grossa, com Jocelito Canto, um popular radialista e deputado estadual.
O deputado estadual Carlos Simões e o federal Iris Simões, ambos do PTB, denunciaram a iniciativa como uma manobra. Eles, que haviam defendido o apoio do partido ao petista Ângelo Vanhoni, garantiram que as candidaturas próprias só serviriam para serem retiradas mais tarde, mediante negociação com o PT. Curiosamente, Martinez e Jocelito de fato renunciariam mais tarde, para apoiar Vanhoni.
Entre o lançamento e a desistência, Martinez, dono da CNT, com emissoras em 17 Estados e faturamento de R$ 50 milhões em 2004, reuniu-se com o ministro da Comunicação de Governo, Luiz Gushiken. Ele garante, no entanto, que não há relação alguma entre uma coisa e outra.
''Como presidente da CNT, como qualquer veículo de comunicação, o ministro me recebeu, menos vezes do que eu gostaria'', diz Martinez. ''As verbas da publicidade oficial são geridas de forma bastante técnica. Todos os veículos estão lá batendo na porta para ver se as verbas fluem mais. Mas são tempos novos.''
Em termos porcentuais, as verbas de publicidade do governo e das estatais para a CNT não aumentaram no governo Lula. Em 1998, eram 1,31% do total; em 2002, 1,29%; em 2003, 0,87% e, em 2004, 0,91%. Para um gasto total de R$ 867 milhões no ano passado, isso significa R$ 7,889 milhões.
Em Ponta Grossa, Jocelito encabeçava as pesquisas quando desistiu da candidatura, despertando especulações sobre o que o teria feito mudar de idéia. O deputado, que já havia sido prefeito entre 1997 e 2000, conta que ''não estava com muita vontade de ser prefeito de novo''. E que decidiu desistir quando Martinez lhe ofereceu um programa em sua TV.
''Era meu sonho ir para a televisão'', garante o deputado, que faz o programa popular Jocelito na TV. ''A lei não permite ser candidato a prefeito e ter um programa na TV.'' Jocelito assegura que só ouviu falar dos repasses de dinheiro para campanha e para parlamentares. ''Nunca participei disso.''


