O candidato a vice-prefeito Assad Jannani (PPB), da coligação encabeçada por Homero Barbosa Neto (PDT), está sendo acusado no Ministério Público (MP) de usar um ex-funcionário como ‘‘laranja’’ numa empresa de prestação de serviços. A Dinâmica S/C Ltda foi criada no final de 1990, quando Assad foi secretário de Serviços Públicos da segunda administração do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL), e prestou serviços de limpeza no Terminal Urbano. A empresa também teria como sócios outros dois laranjas, indicados por vereadores da época.
A acusação foi feita pelo técnico em contabilidade Santiago Hernandes Sanches, ex-funcionário de Jannani na extinta Eletro Weld Ltda. Sentindo-se moral e materialmente prejudicado, Sanches levou o caso para o MP, que em 98 abriu um procedimento administrativo. Ele também ingressou com uma ação por danos morais e materiais na 1ª Vara Cível.
Sanches confirmou a denúncia ontem à Folha. Ele disse que foi funcionário de Assad de 85 a 96. Quando o candidato assumiu a secretaria, procurou o funcionário. ‘‘Ele disse que estava abrindo uma firma para prestar serviço e, como era político, pediu para usar meu nome. Até então eu o tinha acima de qualquer suspeita e achei que não teria problema’’, afirmou. A sugestão de constituir a empresa, segundo teria declarado Assad, foi dada pelo próprio Belinati.
No ano seguinte, Sanches foi tentar vender um telefone e descobriu que estava com o bem bloqueado por causa de 21 ações trabalhistas. ‘‘Fui atrás do Assad e ele disse que me arrumaria um advogado. Mas aí choveu oficial de Justiça em casa, penhorando tudo.’’ Entre os bens penhorados, estavam a casa e até a estante da sala.
Sanches acrescentou que seu próprio telefone foi a leilão e um filho de Assad arrematou o bem. O ex-funcionário acrescentou que nunca soube onde a Dinâmica funcionava, por quanto tempo prestou serviços no Terminal nem quanto recebeu no período. ‘‘Só sei que fui laranja. Eu confiava nele e agora cheguei a conclusão de que fui um otário.’’
‘‘Nada do que ele alega é verdadeiro’’, rebateu ontem Assad. Segundo o candidato, na época o MP teria determinado que não se utilizasse mais mão-de-obra da frente de trabalho no Terminal Urbano. O serviço, então, teria sido assumido pela Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que contratou a Dinâmica. ‘‘Na época eu ajudei a constituir a empresa para ajudar os demitidos. Mas quando eu deixei a secretaria, a TCGL devolveu o serviço para a prefeitura e essa empresa acabou passando por dificuldades. Os demitidos entram com as ações trabalhistas.’’
Assad disse que sabia que Sanches era sócio da Dinâmica. ‘‘Inclusive ele já tinha passado por outra experiência infeliz. Ele comprou um bar e eu tive que socorrê-lo. É o sonho de todo mundo que trabalha abrir uma empresa.’’ O candidato acrescentou que arrematou o telefone do ex-funcionário para ajudá-lo, já que estava em dificuldades por causa das ações. ‘‘Tanto que o telefone está com ele até hoje.’’ Assad disse também que não sabia do procedimento do MP. Sobre a ação na 1ª Cível, afirmou que fez a contestação mas o ex-funcionário não apresentou resposta. ‘‘A ação está parada.’’

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