O ex-juiz Nicolau dos Santos Neto depôs ontem ao delegado da Polícia Federal (PF) Ulisses Vieira Mendes, na própria carceragem da Casa de Custódia, em Higienópolis (zona central de São Paulo). O depoimento durou cerca de três horas e teve como base o conteúdo de gravações divulgadas pela revista ‘‘Isto ɒ, em julho.
As fitas, com supostas conversas de Nicolau, traziam citações a Martus Tavares, ministro do Planejamento, ao senador Romeu Tuma (PFL-SP), ao deputado Robson Tuma (PFL-SP) e ao ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge.
Segundo a PF, o ex-juiz Nicolau negou que tenha existido a conversa gravada. Entretanto, confirmou que recebeu o senador em sua residência para falar de ‘‘amenidades’’.
Quanto ao ex-secretário Eduardo Jorge, Nicolau afirmou no depoimento, segundo a assessoria da PF, que teria tido ‘‘poucos contatos’. Nicolau teria usado EJ como ‘‘uma ponte’ para chegar a Martus e conseguir a liberação de verbas para a obra do TRT-SP. Quanto ao senador cassado Luiz Estevão, Nicolau confirmou que o conhecia pessoalmente, mas não tinha nenhum conhecimento sobre a propriedade da construtora Incal (responsável pela obra do TRT). Nicolau, porém, negou a existência das mais de 190 ligações telefônicas para Eduardo Jorge.
Ontem a Caixa Econômica Federal e o TRT assinaram protocolo de intenções para concluir o prédio do fórum, cuja construção está parada desde outubro de 98. A conclusão da obra, de onde foram desviados R$ 196 milhões, deve consumir R$ 38 milhões.

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