Ex-governadores reconhecem comando
Luciana Pombo
e Emerson Cervi
O deputado estadual Aníbal Khury (PFL) conseguiu o respeito dos diversos governadores que passaram pelo Paraná. Esteve sempre fazendo articulações políticas e tinha muita influência sobre os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.
A marcante influência de Aníbal Khury sobre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário é mencionada por sete ex-governadores paranaenses: foram mais de três décadas de soberania do deputado na política, sempre fazendo articulações
O ex-governador Roberto Requião (PMDB) disse que teve facilidade para a aprovação de projetos durante o período em que Khury era o presidente da Assembléia Legislativa. Ele era o comandante da Assembléia Legislativa e foi importante para a aprovação de projetos, afirmou.
Requião citou como exemplo o apoio dado por Khury para as iniciativas do Estado, como o veto para o aumento do Poder Judiciário. O Judiciário queria um aumento absurdo e a Assembléia derrubou isso, rememorou. O ex-governador não quis falar sobre as manifestações políticas de Khury durante o governo Jaime Lerner. Ele era meu amigo, estava no PFL e apoiava o Lerner. Vou me limitar a falar da atuação dele durante o meu governo, resumiu.
O ex-governador Alvaro Dias (PSDB), que chegou a enfrentar dificuldades de relacionamento com Khury, ex-adversário político, disse que o deputado era uma grande liderança dentro da Assembléia Legislativa. Ninguém tem a habilidade que ele tinha. Ele era uma grande liderança dentro da oposição e da situação, afirmou. Sempre fomos adversários, ele discordava das minhas posições e eu das dele. Mas isto nunca me impediu de respeitá-lo, disse.
Para o atual governo, Dias prevê dificuldades pela morte do deputado do PFL. Ele era o apaziguador nos momentos de perdas políticas e conflitos, argumentou.
Entre os ex-governadores, Paulo Pimentel é um dos que mais tiveram o apoio do deputado Aníbal Khury. Ele me criou como político, me lançou como candidato a governador e foi meu professor, afirmou. O ex-governador resume com humor as críticas de que o deputado sempre mandou nos governos do Paraná. Dizem que ele mandou em todos os governos. No meu, ele mandou mais do que eu e talvez por isso tenha dado certo.
O ex-governador Ney Braga disse que o deputado Aníbal Khury foi muito importante para as articulações políticas de seu primeiro mandato (entre 1961-1967). Ele era um defensor intransigente dos interesses do Paraná, disse. Khury foi deputado estadual durante o primeiro mandato de Ney Braga como governador do Estado. O Aníbal me ajudou muito naquele período, tudo o que eu mandava para a Assembléia ele tratava de aprovar o mais rápido possível. Tenho certeza que o presidente da Assembléia vai fazer muita falta, afirmou.
Para José Richa, o Paraná perde uma grande liderança política. Ele nunca me pediu algo que fosse julgado ilícito, imoral ou ilegal. Era uma figura extraordinária, um gênio, afirmou. Não lembro de ter conhecido alguém como ele na política paranaense. Em 1982, quando Richa foi eleito governador pelo PMDB, Aníbal Khury se elegeu deputado pela oposição. Tive um aliado importante na Assembléia, que nunca me pediu coisas em troca de apoio que me deixassem em dificuldade de consciência, salientou.
O ex-governador Jayme Canet Júnior disse que sempre admirou o ex-deputado. Ele era uma grande liderança, mas acima de tudo sempre apreciei a figura humana, a sua generosidade, afirmou. Para ele, o Paraná perde seu maior articulador político. Dificilmente teremos alguém como ele de novo, disse.
João Elísio Ferraz de Campos, ex-governador e atual presidente do PFL do Paraná, disse que a falta que o deputado Aníbal Khury irá fazer para o Estado será insubstituível. Em 1986, quando era governador, Khury fazia constantes visitas ao Palácio Iguaçu. Tinha o Aníbal como consultor, afirmou.
Campos lembrou do episódio do café contaminado que desembarcou no Porto de Paranaguá. Ele mandou que a gente confiscasse a carga. Atendi de pronto. Sempre pude confiar nos conselhos dele, argumentou. O também ex-governador Hosken de Novaes disse que a morte de Khury é uma grande perda. Seu poder de aglutinação era incontestável, afirmou.
REPERCUSSÃO
Rafael Greca (ministro do Esporte e Turismo) O deputado Aníbal Khury serviu ao nosso povo com toda a intensidade de sua alma política. Tomou nossas dificuldades sobre seus ombros e recriou soluções políticas que fazem parte da História do Paraná dos últimos 50 anos. O Estado perde uma importante referência política, construída ao longo de oito anos de mandatos legislativos.
Gilberto Giacóia (procurador geral da Justiça) Ele exerceu bem o papel de mediador político e olhava com simpatia o Ministério Público.
Olímpio de Sá Sotto Maior Neto (ex-procurador geral da Justiça) Perde o Paraná um dos maiores líderes políticos da história e que se preocupou com a autonomia financeira do Ministério Público.
Roberto Baggio (coordenador estadual do MST) Ele era um poder supremo. Nenhum governo ousou a enfrentar o poderio que ele aglutinava.
Pedro Tonelli (primeiro deputado estadual do PT a conviver com Aníbal Khury) Ele era um político muito esperto. Virava oposição, fazia jogo de pressão e conquistava seu espaço. Na Câmara federal, faltavam líderes como ele.
Pretextato Taborda Ribas (ex-secretário-chefe da Casa Civil) Ele era um conselheiro de altíssimo nível do governador Jaime Lerner. Tinha uma participação muito grande nas decisões mais importantes do Governo.
Gerson Guelmann (secretário-chefe de Gabinete do Estado) Nas pequenas crises, a gente aceitava as ponderações dele como as de um pai.
Fani Lerner (secretária da Criança e Assuntos da Família) Ele sempre foi uma pessoa alegre, que vivia de forma feliz. Acredito que todos possamos nos espelhar nos bons exemplos que ele nos deixou.
Giovani Gionédis (secretário da Fazenda) Ele era a pilastra da Assembléia Legislativa. Com ele, se encerra um momento importante da política do Paraná.
Coronel Luiz Fernando de Lara (Comandante da PM) Ele era o meu conselheiro da política. Conhecia profundamente as coisas.
Coronel Luiz Borges Vieira (chefe da Casa Militar) Ele era muito alegre, participativo, vai deixar uma lacuna no Legislativo e no Executivo.
Rafael Iatauro (conselheiro do Tribunal de Contas) Ele era o equilíbrio entre os três poderes. Acho que demorará mais de cem anos para encontrarmos outro homem como ele.
Jonel Chede (presidente da Associação Comercial do Paraná) O Paraná perde seu político mais experiente, uma liderança que influenciou gerações de paranaenses com desprendimento e lealdade.





