Leandro Donatti
De Curitiba
A proposta do governo Jaime Lerner (PFL) de antecipar os royalties que tem a receber de Itaipu nos próximos 23 anos, para tirar as finanças do Estado do vermelho, foi bombardeada ontem pelos últimos três governadores do Paraná. José Richa (sem partido), Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) manifestaram-se contra a fórmula engendrada pela equipe econômica de Lerner, que passou o dia ontem em Brasília pressionando o governo federal a baixar uma Medida Provisória que legalize a transação.
Para o ex-governador José Richa, a antecipação planejada pelo governo estadual ‘‘compromete o futuro’’ dos próximos governos. ‘‘Daqui a pouco, o Estado não terá nem mais crédito nem mais patrimônio’’, declarou Richa. O ex-governador é um dos principais opositores ao processo de privatização da Copel, a companhia de energia do Paraná. Richa defendeu em vez da antecipação dos royalties de Itaipu, a redução drástica de despesas deve ser a maior prioridade do Palácio Iguaçu.
Richa não põe fé no êxito das negociações, mantidas pelo governo estadual com a União. ‘‘Os royalties são pagos por uma empresa binacional. Para serem antecipados, a vontade não pode ser apenas do governo brasileiro, mas também do paraguaio’’, justificou o ex-governador. De olho na sucessão de 2002, Alvaro Dias também detonou a equação colocada em curso pelo governo. ‘‘O Estado vai ficar com uma herança horrível. Isso é uma agressão ao futuro. Um verdadeiro absurdo’’, considerou.
Governador de 87 a 90 e hoje senador pelo PSDB, Alvaro acha descabível a antecipação. ‘‘Esse governo já abriu mão de ativos de peso, como Copel, Banestado e Sanepar’’, citou. ‘‘A antecipação é um deboche à inteligência das pessoas. É preciso colocar um paradeiro nisso’’, defendeu.
Alvaro disse que antecipar créditos facilita em muito uma administração, porém não tem sentido o Paraná mexer agora nos royalties que tem a receber nos próximos 23 anos, conforme dita o acordo Brasil-Paraguai.
O senador Osmar Dias (PSDB) concorda com a postura do irmão Alvaro e considera a operação uma ‘‘injustiça’’. Para o senador, o limite tolerável seria antecipar os royalties dos próximos três anos e meio, quando terminaria o segundo mandato do governador Jaime Lerner. Osmar pretendia tratar do assunto ontem durante audiência, no início da noite, com o secretário geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira. ‘‘Quero saber os detalhes desta transação pretendida pelo governo’’, observou.
O senador Requião se somou ao coro de ex-governadores contrários à antecipação dos royalties, classificando a estratégia como uma ‘‘invasão do futuro’’. ‘‘Os futuros governos ficarão inviabilizados’’, ponderou. Requião disse que na verdade a operação pretendida pelo Palácio Iguaçu em Brasília tem por objetivo a liberação de um socorro financeiro para o Estado. ‘‘Os royalties a receber servirão como uma garantia para a devolução dos valores’’, assinalou.
Requião avisou ontem que vai fazer marcação cerrada para abortar a estratégia do governo Lerner. O senador do PMDB não tem dúvidas de que o Senado será acionado para manifestar-se sobre o assunto.Richa, Alvaro e Requião dizem que manobra para tentar salvar caixa do governo do Paraná é muito arriscada
Arquivo FolhaSEM JUSTIFICATIVARicha: ‘‘Daqui a pouco o Estado não terá mais crédito e nem patrimônio. É comprometer o futuro’’

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