Ex-governadores condenam privatização de companhia
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Luciana Pombo 
O anúncio da formação de um Conselho de Desestatização da Copel, feito pelo governador Jaime Lerner (PFL), está gerando oposição e crítica por parte de, pelo menos, três ex-governadores do Paraná. Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB), a Copel é uma empresa-modelo, lucrativa e estratégica no setor energético brasileiro. Não discuto a necessidade da privatização, mas eu jamais faria isto, afirmou o ex-governador.
Dias argumentou que a Copel sempre foi a menina dos olhos dos ex-governadores do Estado. Eu era o maior cabo eleitoral da Copel e não concordo com a privatização, disse ele. O senador tucano sugere que, ao invés da privatização, seja liberada a exploração de energia elétrica no Estado do Paraná para a iniciativa privada. Acho que temos que liberar para a competição, mas a Copel teria que continuar sendo estatal e garantindo lucratividade ao governo, disse ele.
O senador Roberto Requião (PMDB) vai mais longe nas críticas contra a privatização da Copel. Ele disse que a venda da estatal é criminosa e compromete todo o esforço histórico para a manutenção da Copel, com lucratividade. Esta é uma empresa superavitária e essencial para o desenvolvimento do Estado, defendeu. Requião disse que irá denunciar a venda irregular da Copel em todos os pontos do País. O Paraná inteiro está sendo vendido e precisamos denunciar, afirmou.
O ex-governador José Richa (sem partido) já havia se manifestado em entrevista à Folha em dezembro contra a privatização. Richa, que não foi localizado ontem pela reportagem, havia classificado a venda como insensatez.
Ver a Copel ser vendida é uma tristeza para todos que ajudaram a construí-la, afirmou ontem o ex-governador Paulo Pimentel (PFL), no seu tradicional comentário no telejornal TJ Meio-Dia, no SBT. Apesar de elogiar o trabalho realizado pela Copel ao longo dos anos, Pimentel disse que é a favor da privatização. Temos que analisar o momento, que é de modernidade e exige a privatização. O governo não tem dinheiro para a geração e distribuição de energia, complementou Pimentel. No entanto, o ex-governador fez uma ressalva, dizendo que só apoiará a privatização se o processo de desestatização for sério e aplicado em benefício do Estado.


