Ex-governador do Rio se junta a Cunha em presídio do Paraná
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Folhapress 

Rio de Janeiro e São Paulo - O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) deixou no início da noite dessa quinta-feira (18) a cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio, para ser levado para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, onde está detido o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ).
Ele deve passar a noite na carceragem da Polícia Federal em Curitiba e transferido para seu destino final na manhã de sexta (19). O juiz Sérgio Moro determinou nessa quinta a transferência de Cabral para o complexo médico penal de Pinhais, no Paraná. A decisão atende o requerimento do Ministério Público Federal por irregularidades no tratamento concedido ao ex-governador em Benfica, no Rio.
Também nessa quinta, a juíza do Rio Caroline Figueiredo aceitou pedido do mesmo teor do Ministério Público Federal do Rio.
Na decisão, Moro cita a apuração feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que aponta que Cabral teria recebido alimentação de restaurantes, colchões de padrão superior, eletrodomésticos e equipamentos de ginástica.
"Há indícios de irregularidades na situação prisional de Sergio de Oliveira Cabral Santos Filho no Rio de Janeiro, com benesses, ainda que de dimensão moderada, a ele concedidas na Cadeia Pública José Frederico Marques", escreve Moro.
A transferência é necessária, segundo a decisão, pois "há um risco concreto de que ele [Cabral] possa utilizar essas relações para, continuamente, obter ou tentar obter privilégios no cárcere".
Moro ainda observa que há outros presos da Lava Jato em Pinhais e que há "condições adequadas, ainda que não perfeitas, para abrigar com segurança e dignidade quaisquer presos, inclusive condenados por crimes de colarinho branco".
A defesa do político vai tentar uma liminar para evitar a saída do ex-governador do Rio.
Os procuradores citaram ainda dezenas de visitas recebidas pelo político fora do horário estabelecido, além da instalação de um "home theater" no presídio.
O equipamento foi instalado em outubro e retirado em novembro após a divulgação de que pastores assinaram o recibo de doação a pedido de Cabral. Essa seria a única forma de o aparelho entrar no sistema penitenciário.
No pedido encaminhado ao Judiciário, os integrantes do Ministério Público afirmam que o ex-governador "continua liderando uma nefasta e poderosa organização criminosa que ainda se encontra ativa e infiltrada na Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro e que exerce influência na Secretaria Estadual de Administração Penitenciária".
Os procuradores também pediram o afastamento do secretário estadual de Administração Penitenciária, Erir Ribeiro Costa Filho, do subsecretário adjunto de gestão operacional da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, Sauler Antônio Sakalen, e de outros três diretores do órgão em razão da constatação de tratamento diferenciado e regalias permitidas sem respaldo legal a Cabral.
Cabral foi preso em novembro de 2016. Neste período, ele foi condenado a 87 anos de prisão na Operação Lava Jato.


