Ex-governador dedicou a vida ao parlamentarismo
Pedro Livoratti
De Londrina
A morte de Franco Montoro não deixa somente um vazio na política. Antes de se iniciar na vida pública, como vereador em São Paulo, em 1952, Montoro foi professor universitário e conferencista. Mas foi pela defesa de um novo sistema de governo que Franco Montoro ajudou a escrever um capítulo na história política do País. Parlamentarista convicto, ele dizia: Luto pelo parlamentarismo há muito tempo; o presidencialismo é um convite à fisiologia.
Em março deste ano, ele trouxe de volta essa discussão pedindo, através de requerimento à Câmara dos Deputados, o desarquivamento da proposta de emenda constitucional que institui o sistema parlamentarista no País. Segundo declarou na época, a idéia era que os parlamentares apresentassem suas sugestões. Ele dizia que tinha o apoio de todos os partidos políticos. Segundo afirmou o deputado, se a proposta fosse aceita, o sistema parlamentarista entraria em vigor no Brasil em 2003 (ver ao lado).
O parlamentarismo é uma das velhas bandeiras do PSDB, partido do presidente Fernando Henrique, que ele ajudou a fundar. Eu luto pelo parlamentarismo há muito tempo; é um modelo mais perfeito que o presidencialismo, insistia Montoro.
Quando apresentou requerimento reivindicando o retorno das discussões sobre o sistema parlamentarista, Montoro criticou o que considerava um excesso de poder delegado ao presidente da República, um poder pessoal e soberano, promovido pelo sistema presidencialista. Graças a Deus, o Fernando Henrique não abusa disso em proveito próprio, avaliou.
Doutor em Direito e Filosofia, Franco Montoro foi autor de várias obras ligadas ao direito e às causas que defendia. Uma delas ficou bastante famosa, Da democracia que temos para a democracia que queremos, lançada em 1974.





