Boa Vista Foi libertado, ontem de madrugada, da cadeia pública de Boa Vista (RR) o ex-governador Neudo Campos (PP), 55 anos, preso havia dez dias sob a acusação de ser o mentor do chamado ''escândalo dos gafanhotos'', que pode ter desviado mais de R$ 230 milhões dos cofres públicos em Roraima. A Justiça Federal não acatou pedido de prisão preventiva para o político, solto com mais 37 pessoas.
Campos foi detido em Brasília durante a operação ''Praga do Egito'', deflagrada por 200 agentes da Polícia Federal, que tinha o objetivo de cumprir 57 mandados de prisão, além de ordens de busca e apreensão, inclusive na casa do ex-governador, em Boa Vista, onde foram retirados dois carros cheios de material.
Enfraquecimento ''A decisão da Justiça não enfraquece em nada o nosso trabalho. Ainda não li o despacho do juiz (Helder Girão Barreto), mas creio que ele esteja bem fundamentado. Infelizmente não conseguimos reunir todos os elementos necessários para que o ex-governador continuasse preso'', declarou o procurador da República, Carlos Mazzocco.
Porém, outras três pessoas, todos ex-deputados estaduais, vão permanecer na cadeia porque tiveram a preventiva autorizada pela Justiça. ''As pessoas que vão continuar presas são aquelas que conseguimos reunir provas robustas de que estavam coagindo testemunhas ou tentando produzir provas falsas para obstruir o andamento dos trabalhos'', disse o procurador da República.
O esquemaT As investigações da força-tarefa que apuram as fraudes em Roraima apontam que Campos teria criado, em 1998, um esquema que usava 5.500 funcionários fantasmas, os ''gafanhotos'', para o enriquecimento de 30 autoridades do Estado, entre elas ex-parlamentares, atuais deputados estaduais e federais e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado.
O Ministério Público Federal também denuncia Campos por desvios milionários de recursos repassados pela União ao Estado durante sua gestão (1995 a 2002). Em um dos convênios, uma obra viária em Boa Vista, que recebeu recursos de R$ 3 milhões, teria sido paga, mas nunca construída.
O ex-governador nega todas as acusações e afirma estar sendo vítima de uma obra de seus ''inimigos'' políticos.

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