A ex-gerente do Provopar de Londrina, Maria Cristina Campos, prestou depoimento ontem ao Ministério Público (MP) durante mais de seis horas. Ela é acusada de ser uma das principais responsáveis pelos desvios de recursos da entidade que, segundo a auditoria do município, envolvem R$ 741.756,34 no período de 1998 a 2000. O depoimento é mantido sob sigilo pela promotoria.
Maria Cristina trabalhava há 15 anos no Provopar e foi demitida por justa causa no início de fevereiro deste ano. A auditoria apontou que R$ 250 mil em cheques da entidade foram depositados na conta corrente de Maria Cristina e de seu marido, Odair Barbaresco. O auditor Osvaldo Alves de Lima suspeita que mais R$ 183 mil em cheques foram parar na conta da ex-gerente.
Maria Cristina foi ouvida pelos promotores Bruno Galatti (da 1ª Vara Cível) e Solange Vicentin (Defesa do Patrimônio Público). O depoimento começou de manhã e continuou à tarde. Nas duas vezes ela deixou o Fórum de Londrina sem dizer nada. O advogado da ex-gerente, Vicente de Paula Marques Filho, afirmou que as informações seriam mantidas em sigilo por causa de uma cordo com a promotoria. No início do mês – após o relatório sobre as irregularidades ter se tornado público – o advogado afirmou que Maria Cristina ‘‘era subordinada e não assinava cheques’’.
A promotora Solange Vicentin alegou que o Ministério Público não irá adiantar nenhuma informação porque o depoimento ‘‘está sob sigilo no interesse das investigações’’. Ela também evitou falar em nomes citados pela ex-gerente do Provopar. ‘‘Não vamos antecipar nenhum depoimento para evitar tumulto ou algum constrangimento com relação às pessoas’’, afirmou.
De acordo com a promotora, Maria Cristina retornou à tarde porque o MP não havia colhido todas as informações que deveriam ser esclarecidas no procedimento investigatório. Ela disse apenas que todas as pessoas que faziam parte da direção e que trabalhavam no Provopar serão ouvidas. ‘‘Nosso objetivo é esclarecer a verdade. Independente do que foi dito hoje, já estava resolvido que ouviríamos essas pessoas’’, alegou.
Entre as diversas irregularidades apontadas pela auditoria nas contas do Provopar estão gastos de pelo menos R$ 31 mil com jantares e R$ 67 mil em publicidade. Lima disse que ficou provado ainda que houve falsificação de cheques, adulteração de notas fiscais e o desaparecimento de doações feitas à entidade. O dinheiro desviado deveria ter sido aplicado em programas de auxílio à população carente. As cifras consideradas irregulares somam quase metade dos repasses feitos pela prefeitura e Sercomtel ao Provopar nos três anos investigados (R$ 1,6 milhão).
A próxima pessoa a ser ouvida pelo MP deve ser a ex-coordenadora do Provopar, Cristina Barros. Em diversas ocasiões, ela alegou que não tinha conhecimento sobre as irregularidades apontadas pela auditoria. A promotoria instaurou procedimento administrativo para apurar o rombo no Provopar a pedido da auditoria.

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