Ex-gerente do Banpará depõe hoje em Belém
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domingo, 02 de setembro de 2001
Agência Estado<BR>De Belém 
O principal argumento de defesa do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) de que não recebeu recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará) em aplicações, pode cair hoje, durante o depoimento do ex-gerente da instituição, Marcílio Guerreiro Figueiredo. Jader afirma que nunca teve recursos do banco em sua conta, mas Guerreiro afirma que assinava os cheques ''atendendo ordens superiores''.
O ex-bancário, dois diretores do Banpará na época em que o senador era governador do Estado e duas pessoas que foram beneficiadas com rendimentos das aplicações irregulares vão depor nesta segunda-feira, em Belém, para os senadores da comissão de investigação do Conselho de Ética do Senado.
A principal testemunha de todas as operações realizadas no Banpará no período em que Jader era governador é Marcílio Gueirreiro. Cinco dos 11 cheques administrativos que o Banco Central afirma terem como beneficiário principal o presidente licenciado do Senado, foram assinados pelo ex-gerente, que foi a única pessoa a ser demitida e punida pelas irregularidades.
Além dele, devem depor o ex-presidente do Banpará, Nelson Ribeiro, e o ex-diretor administrativo da instituição, Hamilton Guedes, além de Fernando Castro Ribeiro, Eliel Faustino e Aurélio Meira.
Os senadores não depositam muita esperança nos depoimentos de Nelson Ribeiro, Guedes e Fernando Ribeiro. Todos ainda continuam muito ligados ao senador, principalmente Hamilton Guedes, hoje advogado do PMDB do Pará e Fernando Ribeiro, que pode assumir a cadeira de Jader, de quem é segundo suplente. O pai do senador, que é o primeiro suplente já afirmou que pretende abrir mão da vaga.
Fernando também está na relação do BC como beneficiário dos rendimentos das aplicações, assim como Guedes, que também responde a outro processo por desvio no Banpará. Eliel e Meira foram apontados pelo BC como duas pessoas que mais se beneficiaram de rendimentos das aplicações, mas pouco podem informar aos senadores. Meira, que é arquiteto, é um profissional conceituado na cidade e os recursos em sua conta teriam sido por trabalhos prestados para Jader. Mas também existe a suspeita de que Eliel, na ocasião dos desvios no Banpará, era empregado de uma das fazendas do senador.
Diante disso, os senadores depositam toda a esperança em Guerreiro, que ainda possui documentos referentes às transações feitas no Banpará na época em que Jader era governador. O ex-gerente do banco preferiu depor em Belém, onde será ouvido no início da tarde. Há a possibilidade de nenhum dos outros convocados comparecerem à audência com a comissão de investigação, já que o depoimento é em caráter informal e não há punições para quem deixa de fazê-lo.


