Ex-gerente diz que sofria pressão
A sessão da CPI ontem foi agitada. O ex-gerente de agência do Banestado João Marreze de Souza disse em depoimento que o banco ''sofria ingerências políticas fortes para realizar certas operações de renegociação de dívidas''. Ele citou dois casos ocorridos com ele entre os anos de 1999 e 2000. O primeiro teria sido com a renegociação com uma empresa que devia cerca de R$ 100 mil ao Banestado. Ele disse ter sofrido pressão para aprovar a renegociação, mas mesmo teria emitido parecer contrário.
Outra situação ainda pior foi quando resolveu ser contra uma negociação com uma indústria de papel. A empresa devia R$ 33 milhões para o Banestado. A proposta era a de dar um imóvel e a quantia que era depositada mensalmente em juízo, no valor total de R$ 4,1 milhões. ''Com isso, a empresa liquidaria a dívida. Fui contra e mandei meu parecer para que os diretores do alto escalão decidissem. Fui chamado para conversar e até sofri ameaça velada por parte de um diretor do banco'', denunciou.
A ex-operadora de crédito do Banestado Nerilma Strombeck Custódio foi apontada como uma das funcionárias que aprovou transações consideradas suspeitas. Ela não quis se aprofundar nos casos. Alegou que verificava o mercado e emitia pareceres. Por vezes, ela enviava o parecer para a diretoria, omitindo-se de opinar. (L.P.)





