O advogado Vicente de Paula Marques Filho culpou ontem a coordenação do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) de Londrina pelas irregularidades que teriam provocado um rombo de R$ 741 mil. Ele defende a ex-gerente do Provopar, Maria Cristina Campos, acusada de ser responsável por parte dos desvios. ‘‘Ela era subordinada e não assinava cheques, as determinações eram da coordenação do Provopar.’’
Segundo levantamento da auditoria da prefeitura, divulgado anteontem, os cheques emitidos em nome da ex-gerente foram assinados pela ex-coordenadora do Provopar, Cristina Barros, e pela tesoureira da entidade, Maria de Souza Pavan – mulher do ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan.
O advogado da ex-gerente alegou que ela ficou emocionalmente abalada com ‘‘a execração pública’’ e durante os 15 anos em que trabalhou no Provopar nunca houve fatos que desabonassem sua conduta. Ele comentou sobre de sua cliente, em bairro nobre de Londrina. ‘‘Ela está chateada com esse pretenso sinal de riqueza e pode mostrar a origem da casa, que é o resultado de uma poupança de toda uma vida’’, alegou. Cristina Campos foi demitida por justa causa no início do ano, a pedido da auditoria.
O advogado também criticou o auditor Osvaldo Alves de Lima por ter revelado o teor do relatório. ‘‘É inadmissível. Nosso auditor expôs a documentação na imprensa como se fossem provas sem dar a mínima chance de defesa’’. Segundo ele, a ex-gerente teve várias despesas reembolsadas pelo Provopar mas nunca foi favorecida com depósitos irregulares. ‘‘É conveniente atribuir a responsabilidade sobre supostas irregularidades a ela que é o elo mais fraco da corrente.’’
O auditor reafirmou ontem a existência de desvios e que grande parte (R$ 250 mil) foi parar na conta de Cristina Campos. ‘‘Eu não disse que ela depositou em sua conta, mas ela deve vir a público e dizer a razão de tanto dinheiro em sua conta, inclusive cheques adulterados. O dinheiro do Provopar não poderia ser depositado na conta de um funcionário’’. Sobre a acusação de que não deu chance de defesa, ele respondeu: ‘‘Não sou juiz ou delegado e não sou obrigado a ouvir pessoas, fiz uma auditoria sobre documentos.’’
A auditoria ainda não recebeu microfilmes de cheques do Banestado emitidos pelo Provopar, mas suspeita que mais R$ 180 mil podem ter sido depositados na conta da ex-gerente. Mensalmente, a prefeitura repassava R$ 21,6 mil ao Provopar. Na sequência, a entidade emitia um cheque no mesmo valor. Nas cópias de cheques, o documento aparece como ‘‘ao portador’’. Porém, os microfilmes bancários revelam que os cheques eram preenchidos em nome da ex-gerente.
Anteontem, Cristina Barros disse que não está descartada a hipótese das assinaturas nos cheques do Provopar terem sido falsificadas. Ela negou saber das irregularidades. A reportagem procurou Maria Pavan ontem, mas ela não quis se pronunciar.

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