Curitiba - A Justiça Federal autorizou a quebra de sigilo bancário de 16 empresas e 20 ex-funcionários do Banestado, incluindo dois ex-presidentes. A quebra de sigilo foi pedida pelos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades cometidas no processo de saneamento e privatização do banco, vendido ao Itaú em 2000. O nome das empresas e funcionários não foi revelado.
De acordo com o presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), o pedido foi feito devido aos indícios de que as empresas estariam sendo favorecidas em suas relações com o banco. ''Analisamos operações desde 1995 que consideramos lesivas ao interesse da sociedade'', afirmou. Segundo o deputado, a maior parte das operações envolvia empréstimos concedidos sem as garantias necessárias ou concessão de descontos substanciais para o pagamento de dívidas junto ao Banestado.
No momento, três equipes de técnicos ligadas à CPI buscam mais informações sobre o processo de venda do Banestado. ''Quebramos o sigilo do Banco Central nas suas operações com o Banestado. Queremos confrontar o resultado das auditorias realizadas pelo Banco Central no Banestado com as realizadas internamente pelo próprio banco aqui no Estado'', explicou Beraldin. Além das equipes nas duas instituições financeiras, um grupo de técnicos investiga as operações na Agência de Fomento, órgão instituído pelo governo Jaime Lerner (PFL) e que é responsável pela cobrança das dívidas do Banestado.
Beraldin questiona a maneira como a cobrança vem sendo feita. Pelos dados levantados pelo parlamentar, a Agência de Fomento acaba tendo uma lucratividade maior quando decide não cobrar as dívidas do que quando busca o ressarcimento. ''Em dois anos e meio, a Agência cobrou R$ 81,9 milhões, o que equivale a 5% do valor total das dívidas com o banco. Por esse serviço, a Agência de Fomento recolheu 10% do valor, ou seja, R$ 8 milhões. Apenas para administrar o valor do saldo em carteira, ou seja, o que não é cobrado, ela ganhou R$ 25 milhões'', explicou. Para o pedetista, a cobrança das dívidas junto ao banco deveria ser transferida para a Procuradoria Geral do Estado (PGE).
A CPI também investiga as atividades da Banestado Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Está previsto para hoje o depoimento de cinco ex-diretores da agência, para averiguar por que o Estado comprou títulos públicos podres, que são de díficil revenda, de estados e municípios que não tinham condições de efetuar o resgate de seus vencimentos.

mockup