Ex-funcionário entrega bilhetes ao MP
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sábado, 25 de novembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O catador de latas João Bosco, 40 anos, afirmou ontem que entregou ao Ministério Público de Londrina cópias de bilhetes com o número de agências, contas e o nome de pessoas favorecidas com depósitos bancários no período em que ele trabalhou no escritório político do deputado federal José Janene (PPB) de 1996 a 1999. O material consta da medida cautelar proposta na semana passada pelo MP contra Janene por suspeita de que ele se beneficiou com desvios de recursos da prefeitura.
Segundo Bosco, uma das funções que tinha no escritório político era descontar cheques e depositar o dinheiro na conta de várias pessoas entre elas o próprio deputado, a mulher dele, Stael Fernanda Rodrigues Lima, e outros funcionários, como Rosa Alice Valente. Cada vez que ia a uma agência bancária, recebia o bilhete informando exatamente a agência, o número da conta e o nome do favorecido. Ele disse que no tempo em que trabalhou para Janene, guardou todos os papéis que indicariam uma movimentação superior a R$ 20 milhões.
Ainda segundo Bosco, os bilhetes eram escritos de próprio punho pelas pessoas que trabalhavam ou frequentavam o escritório, como Rosa, Stael ou José Janene. Xeroquei tudo porque, desde o início, sabia que aquilo estava errado e sabia que eu era um laranja, afirmou. Ele acrescentou que não roubou nenhuma cópia de recibo de depósito bancário, como sugeriu o deputado em entrevista coletiva anteontem.
Bosco acrescentou que logo após o primeiro depoimento no MP, em março deste ano, foi ameaçado de morte três vezes, sempre à noite e na rua. A primeira vez foi na Leste-Oeste. Um capanga me pegou e fez ameaça. Mas não chegou a agredir. As outras duas foram atrás da Avenida Tiradentes. São pessoas que eu nunca tinha visto no escritório, disse, sem maiores detalhes.
Sobre a acusação de que teria a capacidade mental diminuída, Bosco respondeu que está à disposição para fazer exame de sanidade mental. A hora que for preciso! Ele acrescentou: Se eu tivesse problema mental não estaria fazendo serviços de banco para o deputado.
O catador de latas também reafirmou que no início de 99, quando ainda era funcionário de Janene, foi detido por oficiais de Brasília depois de fazer depósitos numa agência do Banestado. Ele teria sido algemado e falado com os oficiais dentro de uma van, estacionada próxima da agência. Foi liberado e, na manhã do dia seguinte, entregou o dossiê, com cópias dos bilhetes.
Bosco não soube esclarecer exatamente quem são os oficiais de Brasília mas tem uma certeza: não são os promotores de Londrina, como sugeriu Janene. Não tem nada a ver. Os promotores me intimaram bem depois, e eu fui lá, espontaneamente, e também entreguei as cópias. Não fui pressionado.
O ex-diretor da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), Eduardo Alonso, também negou que tenha sido coagido ao prestar depoimento no MP como sugeriu Janene. Não por parte dos promotores. Apenas fizemos um acordo para entrar no serviço de proteção de testemunhas e estou fazendo confissões espontâneas. Não só eu, mas muita gente que está colaborando com o MP.


