Ex-funcionário confirma 'mensalinho'
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terça-feira, 06 de setembro de 2005
Folhapress 
Brasília - O ex-gerente do restaurante da Câmara dos Deputados Izeilton Carvalho confirmou ontem em depoimento à Polícia Federal que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), receberia R$ 10 mil por mês de Sebastião Augusto Buani, dono da Buani e Paulucci Ltda, que tinha a concessão para trabalhar no anexo 4 do 10º andar da Casa. No entanto, o advogado de Carvalho, Aldo Campos Costa, admitiu que seu cliente não tem provas.
Carvalho disse ter se baseado em documento intitulado ''A História do Mensalinho'', que conteria detalhes dos pagamentos feitos ao presidente da Câmara, e em um documento assinado por Severino, mas sem validade jurídica, que garante a continuidade da exploração do restaurante. A data do documento coincide com a época em que Severino era primeiro-secretário - uma espécie de prefeito da Câmara, que cuida das contas da Casa. Carvalho disse que os pagamentos eram feitos ora em dinheiro vivo dentro de envelopes, ora em cheques da empresa Buani e Paulucci. Segundo ele, os pagamentos eram providenciados pela filha de Buani. Portanto, disse Carvalho, a quebra do sigilo bancário da empresa revelaria os pagamentos mensais. Carvalho também confirmou que o deputado Gonzaga Patriota recebeu R$ 20 mil no esquema.
Em Nova York, Severino Cavalcanti (PP-PE) disse que o assunto estava ''superado'' porque Buani teria negado as acusações na véspera. Apesar da crise, Severino preferiu manter a viagem, em que será um dos oradores da 2 Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos, que acontece entre hoje e sexta-feira na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.


