O ex-presidente da Encol Pedro Paulo de Souza, em depoimento ontem ao Ministério Público Federal, culpou o governo federal pela falência da construtora, referindo-se a Eduardo Jorge. Segundo ele, o presidente Fernando Henrique designou, em 1997, o então secretário-geral para atuar na operação de salvamento da empresa. ‘‘Encontrei com Eduardo Jorge mais de dez vezes, sempre com a promessa de salvamento, mas fui tapeado, fui enrolado’’, afirmou. ‘‘Éramos a maior construtora do País, geradora de empregos, mas o governo não se preocupou com isso.’’
Pedro Paulo estava acompanhado de quatro advogados, que organizaram a entrevista dada após seu testemunho ao MPF. O empresário sofre mais de 20 processos por ter lesado cerca de 42 mil mutuários por causa da falência da Encol. Ele foi preso, mas está em liberdade condicional. Mesmo assim, só pode sair de Goiânia, onde mora, com autorização judicial.
Em seu depoimento ao MPF, que durou mais de seis horas, Pedro Paulo descreveu várias situações em que recebeu negativas de empréstimos da Caixa Econômica Federal e do BNDES. O empresário sugeriu que Eduardo Jorge indicou os interventores na empresa. Estes interventores, segundo ele, ‘‘exorbitaram’’ no cálculo de R$ 1,8 bilhão para salvar a Encol, sendo que o preço ‘‘real’’ era R$ 500 milhões. ‘‘Procuramos vários bancos e o Itaú ofereceu carta de financiamento de mais de R$ 200 milhões, mas o Banco do Brasil (que coordenou a operação de salvamento) não quis ouvir a proposta’’, afirmou.

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