Curitiba - Os ex-dirigentes acusados no relatório final da CPI do Banestado de terem facilitado a remessa de divisas para o exterior através das contas CC-5 negaram ontem participação no esquema. O ex-presidente do banco Manoel Campinha Garcia Cid, o Neco Garcia; o ex-diretor de câmbio do banco Aldo de Almeida Júnior; e o advogado Fausto Pereira de Lacerda Filho afirmaram não ter conhecimento das remessas ilegais de divisas para o exterior. Segundo informações da Polícia Federal (PF), apenas entre 1995 e 1998 um total de US$ 45 bilhões podem ter deixado o País, principalmente através de agências do Banestado.
Para Neco Garcia, não se pode imputar à direção do banco a culpa pela remessa de dinheiro. ''As contas CC-5 são destinadas a estrangeiros residentes no Brasil. Se o estrangeiro pega dinheiro de outras pessoas e remete pela sua conta, o banco não tem como saber. O Banestado foi usado apenas como veículo'', afirmou. O ex-presidente não soube precisar se as verbas movimentadas pelo banco foram mesmo de US$ 45 bilhões. ''Fui presidente entre 1997 e 1999, época em que o Banestado não emitiu balanços anuais devido a um acordo feito com o Banco Central (BC). Sem os balanços, é impossível saber quanto foi mandado'', explicou.
Aldo Almeida, que exercia a direção do câmbio no período, nega que tenha tido conhecimento de operações irregulares. Segundo o ex-diretor, o valor remetido ao exterior não bate com as quantias movimentadas no banco. ''Não acredito que US$ 45 bilhões possam ter sido movimentados pelo Banestado'', afirmou.
Advogado do banco até 1999, Fausto Pereira de Lacerda Filho também rebate que tenha instruído o banco a manter contas de ''laranjas'' que enviariam dinheiro ao exterior. O relatório acusa Lacerda Filho de apologia ao crime, por ter emitido um parecer afirmando que a extinção das contas traria prejuízo ao banco. ''Não fui convocado para depor na CPI e estou até surpreso com a informação. Os pareceres que eu dei foram exatamente no sentido oposto. Eu estabeleci um código de normas para os interessados em abrir contas CC-5 no banco que era muito mais rigoroso do que as regras estipuladas pelo BC à época'', argumentou.
Para o advogado, a acusação pode ter sido feita por alguma pessoa mal-intencionada. ''Como eu sempre tentei levar as coisas de maneira séria, criei alguns inimigos. E a CPI é um ambiente que envolve muita emocionalidade, tanto dos depoentes como dos deputados, que já estão no palanque pensando nas eleições do ano que vem. É possível que alguém tenha inventado essa história em algum depoimento'', acredita Lacerda Filho.

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