Ex-diretores da Gtech acusam Waldomiro Diniz
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quinta-feira, 04 de agosto de 2005
Hudson Corrêa<br> Folhapress 
Brasília - O ex-diretor de Marketing da multinacional Gtech (atual gerente no Chile), Marcelo Rovai, e o ex-presidente Antônio Carlos Lino da Rocha sustentaram ontem na CPI dos Bingos no Senado que o advogado Rogério Buratti e o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz tentaram extorquir R$ 6 milhões para facilitar renovação de contrato da empresa com a CEF (Caixa Econômica Federal) em abril de 2003.
Os dois afirmaram que a quantia não foi paga, mas o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou não acreditar. Ele espera a quebra de sigilo bancário da Gtech. A empresa assinou o contrato com a CEF no dia 8 de abril de 2003, no valor de R$ 650 milhões, para processamento de loterias.
A versão de Rovai e Rocha foi dada à PF em março de 2004. Um relatório, em poder da CPI, mostra que Buratti ligou seis vezes para Rovai do dia primeiro a nove de abril de 2003 e recebeu no mesmo período quatro ligações do ex-diretor. Rocha disse que Gtech pagou por serviços de advocacia R$ 4 milhões à MM Consultoria de dezembro de 2002 a junho 2003. A revista ''Istoé'' dessa semana informa que a empresa pertence ao advogado Marcelo Coelho de Aguiar, que até o mês passado trabalhava na Secretaria de Comunicação Social. A CPI investiga o pagamento. Aguiar foi convocado a depor.
Buratti foi assessor do ministro Antonio Palocci (Fazenda), até 1994, quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP). Embora Rovai e Rocha não tenham citado o nome de Palocci, quatro senadores fizeram defesa do ministro no depoimento.
O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que julga Palocci ''um homem sério, mas que tem muito homem sério que tem amigo safado''. Magno Malta (PL-ES) também defendeu o ministro. ''Bola nas costas você leva até dentro de casa'', afirmou.
Já Waldomiro, que teria agido com Buratti, trabalhava com o ex-ministro e deputado José Dirceu (PT-SP) na Casa Civil até fevereiro de 2004, quando foi divulgada uma fita onde ele aparece pedindo propina em 2002 ao empresário Carlinhos Cachoeira. Segundo Rovai e Rocha, Waldomiro, então assessor de Dirceu, pediu uma reunião no dia 31 de março de 2003 e no encontro, no hotel Blue Tree, afirmou que era necessária a contratação de um consultor para renovação do contrato com a CEF.
Ainda segundo os dois depoentes, o ex-advogado da Gtech Enrico Giannelli disse em telefonema na tarde daquele dia que o consultor era Buratti. No dia seguinte, Rovai e Marcos Andrade, então vice-presidente da Gtech, se reuniram com Buratti que teria exigido de início uma comissão de R$ 20 milhões e reduzido o valor para R$ 6 milhões à tarde.


