Ex-diretores da Copel responsabilizam Hubert
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A acareação feita com quatro ex-diretores e funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na sessão de ontem da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que apura negociações irregulares envolvendo a estatal, confirmaram o ex-secretário da Fazenda no governo Jaime Lerner e ex-presidente da estatal Ingo Hubert como principal responsável pela negociação que levou a Copel a adquirir R$ 39,6 milhões de créditos tributários indevidos da empresa falida Olvepar S.A. Indústria e Comércio.
Os deputados confrontaram os depoimentos feitos anteriormente à CPI pelo ex-diretor administrativo de Participações da Copel Mário Roberto Bertoni, o diretor Financeiro Ricardo Portugal Alves, e os ex-gerentes da Coordenadoria Contábil César Bordin e da Coordenadoria da Área Financeira André Grochewski Neto. Com exceção de Bertoni, os outros três apontaram o nome de Ingo Hubert ao serem questionados sobre quem teria determinado a negociação com a Olvepar. Bordin que junto com Grochewski, Bertoni e mais 5 pessoas chegaram a ficar presos no ano passado por suspeita de envolvimento nas irregularidades apresentou documentos sobre a negociação para comprovar o envolvimento das chefias.
A transação, que também está sendo apreciada pela Justiça, ocorreu em dezembro do ano passado. De acordo com o que foi apurado, os pagamentos foram feitos em três parcelas de R$ 13,2 milhões, nos dias 6, 12 e 30 de dezembro, com cheques do Banco do Brasil e do Itaú.
A primeira parcela, no entanto, estava prevista para ser paga em maio, através de seis cheques, conforme pedido da Olvepar. ''No dia em que os cheques seriam pagos fui chamado ao escritório do presidente Hubert''. Conforme documento apresentado por ele aos deputados, naquele dia o então presidente da Copel chegou a assinar protocolo determinando o não pagamento dos créditos à Olvepar, uma vez que a Justiça já havia dado dois pareceres contra a transação.
Estranhamente, o assunto voltou à tona em outubro. ''Eu estava no Tribunal de Contas, quando ouvi uma conversa entre o ex-diretor da Receita Estadual João Delgado Lucena e a dona Desirée Turim, do Tribunal de Contas, sobre a Olvepar'', disse Bordin. Ele afirma que já neste instante tratou de informar Ricardo Portugal, que era seu chefe imediato na empresa. Portugal negou ter sido comunicado de que o Tribunal de Contas e a Secretaria de Estado da Fazenda estariam retomando o caso.
Um mês depois, por solicitação de Hubert, o então secretário de Governo José Cid Campêlo Filho, segundo Bordin, providenciou a elaboração do Decreto 6.667, assinado pelo ex-governador Jaime Lerner (PFL), determinando a compensação de créditos de ICMS. Por determinação de Hubert, de acordo com Grochewski, ele e Bordin foram encarregados da elaboração do decreto.


