Ex-diretores da Comurb são interrogados por juíza
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Cristiane Oya<BR>De Londrina 
Os ex-diretores da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, atual CMTU) Kakunen Kyosen e Lúcia Brandão, foram interrogados ontem pela juíza substituta da 4 Vara Criminal, Fabiana Karam. Eles são réus na ação que trata do desvio de R$ 738 mil dos cofres municipais, que teria ocorrido na gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). Ao todo, são 18 denunciados.
Kakunen, que exerceu simultaneamente o cargo de presidente da companhia e auditor do município entre 1997 e 1999, foi o primeiro a ser interrogado. Depois, negou-se a falar com a imprensa. Segundo o advogado dele, Ronaldo Neves, Kakunen reafirmou que obedecia ordens superiores.
''Ele ficava lá o tempo necessário para que assinasse os documentos de rotina e os procedimentos licitatórios que vinham do gabinete do prefeito e solicitadas através do secretário de governo, com verbas que eram alocadas através da reserva proveniente do fundo das ações da Sercomtel'', argumentou Neves. ''Ele exercia de direito, mas o presidente de fato da Comurb era o Eduardo Alonso (ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb), réu confesso dentro desse processo''.
Por causa de uma outra ação criminal (sobre o desvio de R$ 270 mil), Kakunen ficou preso por quatro dias, no mês passado. Ele e Belinati (que também teve prisão preventiva decretada) conseguiram a liberdade por causa de um recurso no Tribunal de Justiça.
Lúcia também reafirmou as declarações concedidas ao MP e disse apenas que ''tudo que sabia já foi dito''. ''Ela não fazia parte de licitação nenhuma. Como chefe de operações, ela pedia o que estava necessitando e encaminhava para os setores de licitação e o departamento financeiro'', relatou a advogada de Lúcia, Henriene Brandão.
O promotor Sérgio Siqueira, que assina a ação, disse que após os interrogatórios, o MP irá trabalhar nas provas de acusação. ''Temos várias estratégias de defesa, testemunhas colaborando, réus confessando e incriminando outros réus, o que, com uma boa corrente jurisprudencial, é uma excelente prova para condenação'', afirmou.


