Ex-diretora da Anac acusa Dilma de pressão
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quarta-feira, 04 de junho de 2008
Elizabeth Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo - A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu reiterou ontem, em entrevista à Rede Eldorado de Rádio, que foi pressionada pela ministra Dilma Rousseff e pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson. Abreu confirmou a entrevista publicada ontem com exclusividade pelo jornal ''O Estado de S.Paulo'' e disse ter provas documentais das acusações que fez.
Dilma Roussef negou a acusação.''As acusações feitas pela doutora Denise Abreu são falsas'', disse a ministra. ''Eu queria destacar que este tema foi tratado no âmbito da Anac e também no âmbito do processo de falência da Varig. O governo teve uma grande preocupação com a falência da Varig e com a descontinuidade do serviço. As acusações serão respondidas no âmbito da Anac e do processo de falência'', afirmou Dilma.
''Todo o processo da VarigLog está conosco e mostra a sequência dos procedimentos adotados na Anac'', disse Denise Abreu à Rede Eldorado, destacando que tem os ofícios que expediu, requisitando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros (Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo) e todos os outros documentos decorrentes do procedimento que correu dentro da Anac neste caso, que na sua avaliação teve como consequência final o benefício ao fundo americano Matlin Patterson.
Questionada se tinha conhecimento de alguém que tenha recebido algum tipo de pagamento para resolver esta questão, ela afirmou: ''Desconheço quem tenha recebido qualquer tipo de benefício econômico, até porque eu não participei de nenhuma negociação que perpassasse por qualquer tipo de favorecimento.''
Ela voltou a falar da ingerência da Casa Civil sobre a Anac: ''Participávamos de reuniões técnicas, na Casa Civil, com um tipo de ingerência do poder central que é o governo sobre uma agência reguladora, que deveria ter autonomia absoluta nas suas decisões para bem regular o mercado.''
Denise Abreu disse que apenas agora decidiu se manifestar sobre o assunto porque o momento coincidiu com o período de recuperação, inclusive física, que teve após sua renúncia da Anac. ''Em decorrência de todo o estresse acabei tendo problemas na vesícula, com 93 pedras que acabaram sendo extraídas em caráter de urgência, no final do ano. E recuperada, coincidiu com o período em que a imprensa voltou a me procurar. Aí, eu resolvi dar o pronunciamento.''
A ex-diretora da Anac disse que jamais iria se manifestar sobre este episódio se não tivesse ''absoluta convicção'' de tudo. ''Acho que vão tentar desqualificar minha fala para fazer com que a população não acredite nas revelações feitas, mas estamos absolutamente preparados porque não haveria cabimento de eu me manifestar se não tivesse absoluta convicção do que eu afirmei.''
Concocação
Na tentativa de preservar a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a bancada governista tentará impedir, hoje, a aprovação de requerimento na Comissão de Infra-Estrutura, no Senado, convocando Denise Abreu. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) deve apresentar o requerimento de convocação da ex-diretora e afirmou que o assunto pode ser motivo para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). ''É mais um escândalo que tem todos os ingredientes para se tornar uma investigação grandiosa, que pode explodir dentro do Palácio do Planalto'', disse Torres. Acrescentou que, se as denúncias de Denise Abreu forem confirmadas, a ministra Dilma Rousseff terá de comparecer também ao Senado para dar explicações. ''A situação será muito mais delicada do que no caso do dossiê'', avaliou o senador.


