Curitiba - O ex-diretor de Câmbio e Operações Internacionais do Banestado Gabriel Nunes Pires Neto continua preso na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Pires Neto teve sua prisão preventiva decretada e cumprida na segunda-feira, sob a alegação de que poderia fugir do País, ''já que entre outros motivos, há indicativo de que estaria ocultando seus bens no exterior''.
O advogado do ex-diretor, Francisco de Assis do Rego Monteiro, disse ontem que a prisão pegou a todos de surpresa, já que Pires Neto nunca se furtou de comparecer a todos os chamados da Justiça. ''No decreto do juiz há várias probabilidades e suposições, mas nenhuma razão concreta que motive a prisão. Foi uma decisão precipitada e desnecessária'', argumentou. O pedido de habeas corpus está sendo preparado, porém Monteiro ainda não tem previsão de quando será ajuizado.
Monteiro disse que seu cliente negou as acusações de facilitação de empréstimos, uma vez que qualquer transação desse tipo tinha que passar pelo crivo do comitê da diretoria do banco. Isso é, Pires Neto, segundo o advogado, não podia autorizar os empréstimos sozinho. Além disso, Monteiro afirma que era obrigação do banco cobrar os créditos cedidos, mas isso não foi feito.
Pires Neto está sendo acusado de ter concedido empréstimos irregulares a três empresas através da agência do Banestado Grand Cayman, nas Ilhas Cayman, com datas de vencimento posteriores ao fechamento da agência (em função da privatização do banco), em agosto de 1998. Os vencimentos dos empréstimos, que nunca foram pagos ao banco, eram em fevereiro e março de 1999. O Banestado foi vendido ao Itaú em outubro de 2000. ''O valor dos empréstimos ainda estão sendo avaliados. A prisão foi decretada por causa de uma transferência de US$ 500 mil do doleiro (Alberto) Youssef para Pires Neto'', explicou o superintendende da PF, Jaber Makul, que ontem convocou uma coletiva para explicar o caso aos jornalistas.
O mandado de prisão se estende para Youssef, que já está detido desde o dia 2 deste mês, na superintendência da PF, em Curitiba. O doleiro é acusado de movimentar irregularmente US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York e de sonegar R$ 118 milhões em impostos. Quanto à ligação entre Pires Neto e Youssef, o superintendente da PF afirma ''que o primeiro facilitava e o segundo enviada o dinheiro para fora do Brasil''.

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