Curitiba - Depois de passar 23 dias preso das dependências da Polícia Federal (PF) e no Centro de Observação e Triagem (COT) da Prisão Provisória de Curitiba (PPC), o ex-diretor de Câmbio e Relações Internacionais do Banestado Aldo de Almeida Júnior negou ontem que tivesse conhecimento de qualquer tipo de remessa ilegal de dólares para o exterior através das contas CC-5 do Banestado.
Almeida Júnior disse à Folha que foi ''vítima de uma violência baseada numa acusação infundada, com suposições e hipóteses da participação dele na remessa de divisas para o exterior de forma ilegal''. Ele supõe que as denúncias possam ter fundo político. ''Está havendo uma exploração de fatos obscuros envolvendo supostamente a mim e outros diretores por interesses talvez políticos. A verdade é que as acusações deveriam recair sobre quem efetivamente usou o banco para remeter recursos de forma criminosa para o exterior. Eu nunca fiz isso'', declarou Almeida.
O ex-vice-presidente do banco disse que a participação dele no processo de abertura de contas no Banestado sempre foi à distância. ''A minha diretoria era operacional e não de controle. A abertura seguia um ritual que era realizado pelas agências'', afirmou. Ele mesmo, quando informado de irregularidades através de auditorias internas, teria mandado que as contas suspeitas fossem canceladas. Uma cartilha com o título ''Aqui não'' foi produzida e distribuída nas agências que operavam com as contas CC-5 para evitar lavagem de dinheiro. ''Não tínhamos como descobrir internamente todas as irregularidades. Tanto é verdade que a polícia federal só descobriu depois de três anos de investigação'', considerou. L.P.

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