O ex-diretor geral da Casa Civil durante o governo do senador Roberto Requião (PMDB), Mauro Rocha, promete antecipar-se à Receita Federal e apresentar oficialmente amanhã cópias das suas declarações de renda no período de 90 a 97. Rocha diz que vai encaminhar as informações ao juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas de Curitiba, Nilson Mizuta. Ele determinou no dia 31 de outubro a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-diretor, acusado de, junto com ex-assessor e subchefe Cláudio Ribeiro, ter enriquecido ilicitamente com a emissão de diárias-frias, passagens e correspondências não oficiais, supostamente ordenadas por Requião.
Mauro Rocha contesta a forma como as investigações vêm sendo conduzidas. E critica as duas sindicâncias feitas pelos governos Mário Pereira (PMDB) e Jaime Lerner (PFL). Ele reclama que nunca foi chamado a se defender. ‘‘Eu sou uma pessoa honesta e estou sendo incriminado por antecipação. Finalmente espero que com essa ação civil pública possa se estabelecer o contraditório. Estou cansado de ser acusado de atos que não cometi. Não tenho mandato como o Requião e por que nunca chamaram aos autos o ex-chefe da Casa Civil (deputado Caíto Quintana)?’’, questiona.
O ex-diretor garante que nunca teve poder algum para deliberar. ‘‘Não era eu quem autorizava’’, justifica. Mauro Rocha afirma ainda que a quebra de sigilo bancário e fiscal determinada pela 4ª Vara da Fazenda a pedido da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público - órgão vinculado ao Ministério Público - será uma prova do seu não comprometimento. ‘‘Eles vão ver se eu enriqueci...’’, declara.
O juiz determinou a elaboração de ofícios ao Banco Central, à agência do Citibank em Curitiba e à Receita Federal. Ao BC e ao Citibank, Mizuta solicita movimentações de contas correntes e aplicações financeiras. O despacho da 4ª Vara não atinge diretamente Requião, que é acusado de ter cometido o crime de ‘‘improbidade administrativa’’ por ter feito ‘ vistas grossas’ aos procedimentos tidos como irregulares.

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