Curitiba - O ex-chefe da Divisão de Operações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) Valdir Neves, apontado como o responsável pela antecipação de uma carga de 1,5 mil toneladas de soja para exportação para a empresa Uninave, que tinha um aporte de capital de R$ 50 mil e teria causado um prejuízo de US$ 500 mil ao Porto de Paranaguá, responsabilizou ontem o ex-diretor técnico da Appa Ogarito Linhares pela liberação das 2,5 mil toneladas de farelo de soja que foram entregues como garantia do embarque do produto.
Neves confessou que autorizou a antecipação da exportação de soja pela Uninave. Entretanto, a empresa teria encaminhado um ofício solicitando que a Appa utilizasse a carga de farelo do estoque físico da empresa como garantia de pagamento. Apesar da carga ter sido bloqueada no dia 20 de outubro de 2003, foi liberada no dia 31 de outubro do mesmo ano. As informações de Neves foram confirmadas pelo ex-chefe da Divisão de Silos da Appa Onilande Marés da Costa. Em seu depoimento, Costa informou que havia uma fragilidade no regimento interno e no sistema de empréstimos de soja no Porto de Paranaguá. ''Qualquer um pode chegar lá e juntar cinco exportadoras e se transformar num operador portuário, movimentando milhões de dólares todos os meses'', apontou ele.
Costa era responsável pela armazenagem dos grãos em silos. Ele contou que chegou a informar por várias vezes à diretoria técnica sobre problemas que ocorriam diariamente como furto de sacas de milho e soja, falta de limpeza, risco de zoonoses, perigo de explosão dos silos. ''Na verdade, a Uninave agiu de má-fé e usou o regimento frágil do Porto de Paranaguá em proveito próprio'', apontou ele.
Com base nesses depoimentos, o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), presidente da CPI do Porto, disse que vai formular uma representação contra Ogarito por crime de responsabilidade. A representação vai ser encaminhada para o Ministério Público (MP) estadual.

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