Curitiba - Ontem, apenas um depoimento foi tomado pela CPMI, composta por senadores e deputados federais. O ex-diretor do Banco Integración do Paraguai Luiz Carlos dos Santos Mello depôs de manhã. Em seu depoimento, Mello, que foi presidente do Banco Integración entre 1996 e 1998 e atualmente é diretor administrativo e financeiro do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, afirmou desconhecer qualquer indício de remessa ilegal de dinheiro via contas CC-5. Segundo ele, pelo menos dois procedimentos inviabilizariam as irregularidades: a legislação paraguaia, que exigia que o banco enviasse diariamente um relatório sobre o movimento de moedas estrangeiras; e a exigência de que a movimentações acima de US$ 10 mil fossem comunicadas.
Ele disse que o banco tinha algumas casas de câmbio como clientes, mas não detinha contas de doleiros. Mello argumentou que o banco movimentava entre US$ 1,5 milhão a US$ 2,5 milhões por dia em moeda estrangeira, o equivalente a US$ 80 milhões por mês. De acordo com o deputado José Mentor, dados apurados pela CPMI mostram que o movimento real do banco era bem acima desse valor, chegando a US$ 162 milhões por mês. ''Eu era presidente do banco, não atuava na área de câmbio'', justificou Mello.
O ex-presidente do banco também afirmou não conhecer as empresas Câmbios Real, Cambio Acaraí e Real Câmbio, que, de acordo com apuração da CPMI, operou quase US$ 2 milhões em 1997 através do banco Integración. Na sessão, os parlamentares também apresentaram quatro gravações de conversas por telefone, feitas entre 1996 e 1998, entre a diretora de Câmbio do Banco Araucária Ruth Whately e um doleiro, identificado como Paco. ''Nas gravações fica clara a existência de laranjas e ligações internacionais na remessa de dinheiro'', concluiu Mentor. (Colaborou Luciana Pombo)

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