Ex-diretor do Banestado é preso em Curitiba
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quarta-feira, 19 de novembro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O ex-diretor de Câmbio e Operações Internacionais do Banco do Estado do Paraná (Banestado, vendido ao Banco Itaú em 2000), Gabriel Nunes Pires Neto, foi preso ontem, às 14h, por policiais federais, em sua residência no Jardim Social, em Curitiba.
A prisão preventiva de Pires Neto foi decretada pelo juiz da 2 Vara Federal Criminal, Sérgio Moro, que acatou o pedido dos procuradores da República da força-tarefa que investiga a lavagem de dinheiro em onze estados brasileiros, Carlos Fernando dos Santos Lima, Luciana da Costa Pinto, Suzete Bragagnolo e Vladimir Aras.
Na ação ajuizada na última sexta-feira, Pires Neto, o doleiro Alberto Youssef e seis empresários paranaenses são acusados por crime contra o sistema financeiro e por causar prejuízo de quase US$ 4 milhões ao Banestado. O juiz determinou também a prisão de Youssef, que está preso deste do dia 2, na Polícia Federal, em Curitiba, acusado pela movimentação irregular de US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York, e de sonegar R$ 118 milhões em impostos.
Conforme a denúncia, Pires Neto, que ocupou a diretoria do Banestado de novembro de 1997 a janeiro de 1999, teria concedido empréstimos irregulares a três empresas através da agência do banco nas Ilhas Cayman. Um acordo firmado entre o governo do Estado e a União, para saneamento do banco para o processo de privatização, previa que a agência Grand Cayman deveria encerrar as atividades a partir do dia 5 de janeiro de 1999. Por isso, o Conselho de Administração do Banestado teria deliberado que todos os ativos daquela agência deveriam ser liquidados ou transferidos a outras instituições financeiras. No entanto, de acordo com os procuradores, Pires Neto teria acertado com os demais denunciados a liberação de empréstimos através daquela agência, cujos vencimentos se dariam em data posterior ao fechamento da Grand Cayman, em agosto de 1998. Os empréstimos teriam vencimento em fevereiro e março de 1999.
''Os empréstimos foram feitos sem avaliação econômica e não foram pagos, causando o prejuízo. As prisões foram solicitadas porque foi localizada uma transferência de US$ 500 mil do Youssef para Pires Neto. Subentende-se que teria sido depositado parte do empréstimo direto para o Pires Neto'', disse o delegado da Polícia Federal, Luiz Pontel, que integra a força-tarefa. O dinheiro teria sido depositado na conta do ex-diretor na agência do Citibank em Nova York, em 19 de outubro de 1998. Pires Neto está recolhido na carceragem da Polícia Federal de Curitiba.


