Ex-diretor do Banestado consegue outro habeas corpus
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-diretor de Câmbio e Relações Internacionais do Banco do Estado do Paraná (Banestado) Aldo de Almeida Júnior, que também respondeu pela vice-presidência do banco, conseguiu neste fim de semana mais um habeas corpus para responder em liberdade o processo que investiga a remessa ilegal de divisas para o Exterior, através das chamadas contas CC-5. Aldo foi preso na última quinta-feira depois do depoimento do ex-diretor do Banestado Gabriel Pires Nunes Neto na 2 Vara Federal Criminal de Curitiba, especializada em lavagem de dinheiro.
Gabriel Pires Neto, um dos supostos envolvidos na remessa ilegal de mais de US$ 1,9 bilhão para o exterior entre os anos de 1996 e 1997 através do Banestado, contou que teria retirado dos arquivos fitas contendo gravações de conversas entre diretores da instituição durante reuniões internas a pedido de Aldo, que na época era seu superior. Segundo Gabriel Pires Neto, Aldo queria impedir que, no futuro, houvesse investigação policial no caso. O mandado de prisão aconteceu menos de 30 dias depois de Aldo ter conseguido o primeiro habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre para acompanhar o julgamento em liberdade. Na primeira vez, o ex-diretor permaneceu preso por 23 dias. Na segunda, três dias.
O advogado criminalista Alcides Bittencourt Pereira, que defende Aldo, alegou no novo pedido de habeas corpus, impetrado na sexta-feira passada no próprio TRF, que o caso já havia sido julgado anteriormente e que não havia necessidade de uma nova prisão. O desembargador do TRF, Élcio Pinheiro de Castro, relator do processo, acatou o pedido de liberdade. Ele entendeu que o fato que provocou a prisão preventiva (o sumiço das fitas) ocorreu há mais de sete anos, por esta razão não teria sentido a privação do direito de liberdade.
Aldo deixou a prisão no fim de semana e já voltou ao trabalho no escritório de advocacia que mantém em Curitiba. Ontem, ele passou a tarde com o advogado na Justiça Federal. Aldo não estava em casa, nem no escritório, e o telefone celular estava desligado. Alcides Bittencourt Pereira também não foi encontrado pela reportagem da Folha.


