Ex-diretor depõe sobre empréstimo de soja
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Num depoimento longo, que durou mais de duas horas e meia, o ex-diretor técnico da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) Ogarito Borgias Linhares admitiu ontem que o desaparecimento de soja do silo público é de responsabilidade da administração portuária, que é a depositária fiel da mercadoria. Ele explicou que não houve desaparecimento e sim, uma antecipação de soja para exportação.
A empresa Uninave, com aporte de capital de R$ 50 mil, antecipou 1,5 mil toneladas de soja para exportação. Entretanto, o valor não foi integralmente pago porque a empresa, que atualmente negocia parcelamento junto ao porto, passa por dificuldades financeiras. O valor estimado da soja que foi ''emprestada'' para a Uninave é de US$ 500 mil. ''A gente discute como foi emprestada essa soja para uma empresa que visivelmente não tinha capacidade de pagamento. Basta olhar o aporte de capital da empresa'', reclamou ontem o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB).
A antecipação da soja para empresas que operam no porto, segundo Linhares, estava prevista em regimento interno da Appa. ''Até que acontecesse o problema, não havíamos percebido o risco que corríamos. Esse tipo de antecipação não aconteceu apenas nesse governo. Vinha de governos anteriores'', esclareceu Linhares. Os parlamentares que compõem a CPI do Porto questionaram quais foram as providências tomadas pela Appa desde a constatação do desaparecimento da soja do silo portuário.
Eles encaminharam uma solicitação para que a Appa envie uma série de documentos para a CPI. Desde informações sobre funcionários, cargos comissionados, salários e balancete contábil desde janeiro de 2003 até operações praticadas pela administração e cópia de todos os contratos em vigência. Linhares admitiu que apesar de ter sido exonerado do cargo de diretor técnico do porto, ainda tem participado de reuniões técnicas em Brasília como engenheiro da Appa.
Para hoje cedo, estão previstos outros depoimentos para esclarecer a antecipação de soja nos silos da Appa. Deverão ser ouvidos: Valdir Neves (ex-chefe da Divisão de Operações da Appa), Gilmar Francinelli (ex-chefe do pool de empresas usuárias da Appa) e Uniland Marés da Costa (ex-chefe da Divisão de Silos da Appa). Para o deputado estadual Antonio Anibelli (PMDB), integrante da CPI do Porto, ficou claro que foram tomadas medidas saneadoras para evitar os prejuízos que as operadoras portuárias davam ao Porto de Paranaguá.
Uma das principais medidas saneadoras, de acordo com Anibelli, teria sido a exigência dos Operadores Portuários a Carta de Fiança Bancária no valor de R$ 3 milhões para evitar qualquer prejuízo ao poder público. Nos últimos anos o credenciamento junto a Appa era simplificado e em caso de dificuldades de um operador privado, o Porto Público, como fiel depositário no caso do terminal de granéis, é quem arcava com o ônus da operação.


