Ex-diretor depõe em ação sobre desvio na CMTU
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de maio de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), Eduardo Alonso, foi interrogado ontem pelo juiz da 3 Vara Cível, Rafael Pedroso, na ação civil pública que denuncia o desvio de R$ 3,4 milhões da Prefeitura de Londrina.
A ação ajuizada no dia 9 de junho de 2000, que cita o então prefeito Antonio Belinati (hoje PSL) e outras 36 pessoas físicas e jurídicas, incluindo o deputado federal José Janene (PP), relata que em um mesmo dia, 26 de maio de 1999, teriam sido formalizados 23 contratos fraudulentos, através da licitação na modalidade carta-convite na Comurb, totalizando R$ 3,4 milhões. Em alguns casos, o prazo entre a autorização da licitação e o pagamento pelo serviço era de apenas três dias.
Alonso não quis comentar o interrogatório. ''Ele foi perguntado sobre como transitavam os valores dentro do cofres públicos municipais e daí para as licitações. Ele não tinha poder sobre os fatos (desvios). Não concordava mas não tinha como impedir que isso acontecesse'', afirmou o advogado de Alonso, Elias Mattar Assad.
Para a audiência de ontem também estava sendo esperada a ex-diretora da Comurb, Lúcia Maria Brandão, mas ela não compareceu. Conforme o Código de Processo Civil, permanecendo ausente no processo poderá ser aplicada a pena de confissão. Nos próximos 15 dias, o juiz ouvirá os demais requeridos na ação.
A 3 Vara Cível utilizou na audiência de ontem um novo sistema que grava em áudio e vídeo as declarações dos depoentes. ''Antes, tudo o que falavam, o juiz tinha que ditar para o auxiliar digitar. Agora não precisa. Economiza um bom tempo, além de ter a fidelidade com gestos e o comportamento do depoente. Em caso de recurso, o CD-Rom vai para o tribunal que poderá ver o que aconteceu'', disse o juiz.


