Ex-diretor depõe e livra deputado do PTB
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quarta-feira, 25 de maio de 2005
Folhapress 
Brasília - O ex-diretor de Administração dos Correios Antônio Osório disse ontem, depois de prestar depoimento à Polícia Federal, que o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), não pediu a nenhum funcionário da estatal para que armasse um suposto esquema de corrupção para financiar a legenda. ''Nunca me pediu isso, nunca pediu a ninguém dos Correios isso (cobrança de propina)'', declarou.
Osório disse que a polícia solicitasse à Justiça a quebra do sigilo bancário e fiscal para, segundo ele, comprovar que não estava envolvido em nenhum esquema ilegal. ''Tenho o maior interesse que tudo seja apurado. O meu nome foi envolvido e por isso pedi o meu afastamento da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos)'', afirmou.
O ex-funcionário negou que tenha ''fugido'' do depoimento e afirmou que estava em Brasília desde terça-feira, à disposição da PF. O depoimento dele estava marcado para terça, mas a polícia não o encontrou no apartamento dele em Salvador para intimá-lo.
Na fita gravada por empresários, Osório foi citado pelo ex-chefe do departamento de Contratação e Administração de Materiais dos Correios Maurício Marinho, como uma das pessoas ''chave'' do suposto esquema que envolveria Jefferson. Ainda na fita, Marinho disse que ele, Osório e o ex-assessor da diretoria de Administração dos Correios, Fernando Leite de Godoy, trabalhavam ''fechados''.
Segundo o advogado de Osório, Clementino Humberto, sua defesa será ''facílima'' porque ele não tem nenhum envolvimento no suposto caso de corrupção. A PF informou que ele não foi indiciado e que as investigações continuam. Até agora, somente Marinho foi indiciado sob a suspeita de fraude em licitações e corrupção passiva.
Também ontem, o ex-assessor da diretoria de Administração dos Correios, Fernando Leite de Godoy, disse em depoimento à PF desconhecer os motivos que levaram Marinho a envolvê-lo no esquema de corrupção da ECT.
Na saída do prédio da PF em Brasília, Godoy disse que era inocente. O delegado da PF, Luiz Flávio Zampronha, afirmou que o teor do depoimento de Godoy não permite que o ex-funcionário dos Correios seja indiciado, como foi Maurício Marinho.
''O Fernando Godoy alegou que não sabe os motivos que levaram o Maurício Marinho a fazer as declarações envolvendo o seu nome. Baseado nesses argumentos, ainda não temos elementos para fazer o indiciamento do Godoy'', afirmou o delegado. Zampronha revelou que Godoy é filiado ao PTB. O delegado adiantou que pode ouvir novamente Marinho, Godoy e Antônio Osório.
O delegado da PF se disse favorável à da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista dos Correios, criada ontem pelo Congresso Nacional depois da leitura do requerimento assinado por 254 deputados e 51 senadores. Para Zampronha, a investigação parlamentar pode ajudar o trabalho da Polícia Federal.


