Brasília - Com assistência de um advogado pago por Furnas Centrais Elétricas, a estatal da qual foi demitido em junho após acusação de fazer caixa dois para o PT, o ex-diretor de Gestão Corporativa Rodrigo Botelho Campos depôs ontem na CPI dos Correios e negou a acusação.
  O subrelator da CPI, deputado Carlos Willian (PTC-MG) pediu a quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico de Dimas Toledo – outro ex-diretor de Furnas e colega de Campos – referente ao período de 2001 a 2005.
  A subrelatoria da CPI afirmou que o depoimento não convenceu. Citou relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) segundo o qual Furnas repassou à caixa de assistência de seus empregados R$ 28 milhões, sendo R$ 20 milhões na gestão de Campos (de janeiro de 2003 a junho de 2005), mas não há notas fiscais ou prestação de contas dos serviços prestados. Após o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ter afirmado que havia caixa dois para o PT em Furnas, Campos se afastou do cargo e foi demitido depois.
  Com relação a Toledo, a PF (Polícia Federal) investiga suposto esquema de caixa dois pelo qual ele, então diretor de Engenharia da estatal, teria arrecadado R$ 40 milhões para 156 candidatos na campanha de 2002. Furnas teria sido usada na arrecadação. Toledo nega.
  Funcionário de carreira de Furnas que perdeu o cargo de diretor por causa da acusação de Jefferson, ele também tem assistência jurídica de Marcolini, graças à estatal.
  Jefferson afirma ter ouvido de Toledo o suposto esquema dentro da estatal de distribuição de R$ 3 milhões por mês para o PT. ‘‘É uma denúncia impraticável. É uma empresa (Furnas) multifiscalizada. Como seria possível sacar R$ 3 milhões? Nunca tivemos denúncia disso quando estivemos lᒒ, afirmou Campos ontem à CPI.

mockup